O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 14/01/2021

O livro “Extraordinário” conta a história de Augusto, um menino que nasceu com uma síndrome genética e, devido a isso, possui uma severa deformidade facial. Ao entrar na escola ele enfrenta piadas, perguntas e olhares cruéis, sendo tratado como um monstro pela maioria dos outros alunos, exceto por seus dois amigos, os quais o ajudam a enfrentar todos os problemas. Analogamente, esse livro pode representar uma trágica chaga persistente no Brasil, a prática de bullying, prejudicando toda a sociedade.

Em primeiro lugar, é importante destacar o papel da escola na difusão desse tipo de violência. Isso porque com o objetivo de serem populares muitas pessoas praticam brincadeiras que disfarçam o objetivo de maltratar e de intimidar, tendo, portanto, reflexos devastadores para as vítimas, as quais ficam humilhadas e, por conseguinte, se isolam. Contudo, essas trágicas práticas não ficam restritas somente nas instituições escolares, com o avanço da tecnologia o cyberbullying cresce por meio de postagens maliciosas nas redes sociais e, além disso, também é possível observá-las dentro da própria família, como mostra o filme “Preciosa”, no qual uma menina sofre discriminações e é insultada tanto em casa, quanto na rua, dificultando a solução desse problema.

No entanto, os agressores, muitas vezes, também são vítimas, os quais podem ter sofrido agressões físicas e psicológicas, ou terem uma família conturbada, uma vez que, segundo John Locke, o ser humano é como uma tela em branco, a qual é preenchida por experiências e influências. O que se pode observar com o ocorrido em uma escola do bairro de Realengo, quando um homem entrou armado e interrompeu a vida de vários adolescentes, motivado pelo bullying que sofreu. Isso prova que a violência pode afetar tragicamente o emocional dos indivíduos, causando doenças como a depressão ou, até mesmo, tornando-os pessoas protagonistas de cenas de terror.

Percebe-se, pois, que o bullying prejudica toda a sociedade, devido a isso, é necessário a união da população para usar seu senso crítico e de empatia para combater esse problema. Dessa forma, o governo, por meio do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, deveria criar projetos, como trabalhos em grupo e aulas de educação física, os quais visem diminuir os preconceitos a partir da maior interação entre os alunos e mostrar as consequências da violência para os agressores e para as vítimas. Ademais, poderia garantir um maior apoio, por meio da presença diária de psicólogos nas instituições escolares, os quais mostrem aos alunos que eles não estão sozinhos e possuem alguém para conversar. Dessa forma, seria possível garantir que menos indivíduos sejam tratados como monstros e que tenham o apoio necessário para enfrentar essas situações, como o Augusto teve.