O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 17/03/2021

Na série de televisão “Todo Mundo Odeia o Chris”, são evidenciados os preconceitos e discriminações sofridas pelo protagonista por ser o único aluno negro de seu colégio. Não obstante à ficção, é notória a semelhança do contexto retratado na obra com a realidade vivenciada no Brasil. Nessa perspectiva, observa-se a configuração de problemas relacionados à luta contra o bullying na sociedade brasileira, conduzidos, sobretudo, pela desconsideração de seus efeitos e pelo descaso familiar.

A princípio, convém destacar que o bullying, principalmente nas escolas, vem sendo naturalizado e classificado como uma “brincadeira”. Nesse sentido, isso ocorre, pois os indivíduos, muitas vezes, acham que esse tipo de violência é inofensivo ou, até mesmo, parte do processo de aprendizagem. Contudo, tal agressão acaba corroborando jovens violentos e com saúde mental vulnerável. Sob esse viés, essa circunstância pode motivar massacres como o ocorrido na cidade de Realengo, por exemplo, no qual dois adolescentes após serem vítimas de “chacotas”, revoltaram-se e mataram diversas pessoas, conforme dados do G1. Nesse prisma, é mister a necessidade de reconhecimento das reais consequências oriundas de tais práticas hostis.

Ademais, o descaso familiar no que se refere à prevenção e combate ao bullying é um fator determinante na adversidade. Nessa lógica, segundo o filósofo John Locke, “o ser humano é como uma tela em branco moldada por experiências e vivências”. Assim sendo, tendo em vista que a família é a instituição social mais influente no desenvolvimento das pessoas, é decerto que grande parte das práticas adotadas pela população têm origem no cotidiano particular. Desse modo, a falta de atuação parental no que diz respeito à articulação de atitudes que minimizem bullying, desdobra-se diretamente na perpetuação dessa problemática.

Dessa forma, são necessárias ações que revertam tal óbice. Portanto, a fim de combater o bullying no Brasil, cabe ao Ministério da Educação promover propagandas, por meio de recursos midiáticos, como a televisão e as redes sociais, que apresentem à sociedade as consequências genuínas do bullying, com histórias e depoimentos reais e comoventes. Dessa maneira, as famílias e as demais instituições sociais seriam conscientizadas da necessidade de lutar contra essa agressão, contribuindo, assim, para que o cenário exibido em “Todo Mundo Odeia o Chris” não fosse refletido na nação brasileira.