O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 20/04/2021

O filme ‘’Extraordinário’’ mostra a jornada de Auggie, um menino que nasceu com uma condição genética que o fez passar por diversas cirurgias no rosto. Após completar 10 anos de idade, a personagem passa a conviver com outras crianças, o gera desafios, como o bullying. Afora do mundo cinematográfico, é notória a presença de atos repressivos e ofensivos contra as pessoas pelo mundo, e não é diferente do Brasil, principalmente no público jovem. Tais situações são causadas e agravadas principalmente por problemas domésticos e a negligência com relação ao assunto pelas escolas.

Em primeiro plano, é visível em várias famílias, principalmente nas mais pobres, a violência doméstica imposta pelos pais. Segundo dados do G1, apenas em 2019, foram 29.965 denúncias de violência contra as crianças no ambiente de casa, algo que prejudica não apenas fisicamente, mas também mentalmente. Tais casos levam a outras consequências, como é comum em várias ocasiões, nas quais a criança pode passar de vítima (em casa) a agressora (na escola) e oprimir os colegas, num ciclo em que a violência apenas é espalhada a mais pessoas, que também começam a repetir os atos e oprimem as pessoas respectivamente “mais fracas” que elas.

Simultaneamente, há uma notória negligência, ou ineficácia dos procedimentos já tomados, principalmente por parte das instituições de ensino. De acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem 2018 (Talis, na sigla em inglês), 28% dos diretores das escolas brasileiras no ensino fundamental apontaram a intimidação ou o bullying como um problema semanal ou diário nos ambientes de ensino, enquanto 18% dos administradores das instituições de ensino médio dizem o mesmo. Então, certamente, em conjunto com as sequências de violência doméstica, a negligência com os casos já em atuação contribuem somente para uma consequência: A propagação do bullying.

Destarte, pode-se inferir que há um conjunto de fatores que justificam elevados índices de bullying no cenário nacional, sejam eles vindos de causas internas ou externas. Logo, para diminuir essas estatísticas, o Ministério da  Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde e os veículos de comunicação em massa deveriam investir em medidas de intervenção para diminuir a ocorrência desses casos. Essas medidas poderiam vir a partir de investimentos no combate ao problema em nível nacional, por exemplo, em campanhas de conscientização, visíveis em outdoors, comerciais de TV e nas escolas, em formato de palestras. Desse modo, os problemas vivenciados por Auggie não seriam algo mais tão comum para muitos jovens brasileiros.