O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 25/04/2021

A tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro, na qual um atirador abriu fogo em uma escola matando 12 pessoas, é o principal exemplo das consequências brutais de uma prática cada vez mais frequente na realidade brasileira: o bullying. Conquanto, para além de fatos como esse, a violência intimidatória tem se sistematizado nas relações coletivas, pautada na reprodução dos preconceitos presentes em sociedade e, sobretudo, na cultura passiva da não-denúncia. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem a esse quadro.

Em primeiro lugar, vale salientar que o bullying é um fenômeno que reforça as injustiças sociais. Ou seja, há um sentimento de intolerância dos sujeitos que se julgam mais fortes, produto de uma visão preconceituosa e perversa, que julgam e humilham indiscriminadamente a outrem, física e psicologicamente. Dessa forma, há a total disrupção do conceito de “isonomia social”, de Aristóteles, qual seja, o tratamento com iniquidade dos sujeitos diferentes e, nesse caso, com o uso frequente de requintes de crueldade. Assim, tal fato determina humilhações, destruição de autoimagem e não raro, situações extremas como as de Realengo. É inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Por outro lado, há uma cultura permeada de não-denúncia de tais eventos, pela vítima e por terceiros, em um círculo que demonstra intimidação e/ou falta de empatia. Outrossim, há pais alheios e inclusive professores passivos a esse fenômeno, revelando o despreparo, principalmente da escola, em combater tais práticas violentas. Dessa maneira, o não entendimento da realidade do outro, que Paulo Freire chamou de “construção de uma cultura de paz”, aliado a não identificação dos casos e à inobservância de pais e professores, constituem-se em ataques frontais que isolam a vítima e põe em risco a sua segurança e sua dignidade humana, e em último grau, expõe a todos.

É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para resolução dessa problemática. Assim, o Ministério da Educação juntamente com as escolas – principais atores desse processo – devem encabeçar o “Programa Bullying Zero”, que vise o combate ao bullying em ambiente escolar. Essa iniciativa aconteceria por meio de cursos de capacitação para docentes, visitas de professores à casa dos envolvidos, incentivo à denúncia em ambiente escolar, bem como debates em sala, que fomentariam a conscientização dos envolvidos. A fim de evitar, não somente tragédias como as do Rio de Janeiro, mas sobretudo, buscar novos entendimentos das realidades, existentes em sociedade.