O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 03/05/2021

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no seu artigo 5, afirma que nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer negligência, discriminação, exploração e violência. Na esteira desse processo, apesar do ECA zelar pela integridade física e psicológica dos jovens, o bullying ainda é comum nas escolas brasileiras, sendo um empecilho para a garantia desse direito. Nessa perspectiva, as consequências geradas por esse estigma afetam o bem-estar físico e psicológico dos indivíduos e, também, seu desenvolvimento escolar, constituindo-se, assim, como um problema a ser combatido.

Em primeira análise, é imperioso salientar o Brasil tem em vigor a Lei Antibullying que visa combater as agressões sistemáticas contra jovens no seu ambiente escolar. Nesse viés, mesmo com esse regulamento existente, segundo dados do IBGE, cerca de 17,5% dos estudantes brasileiros disseram que sofrer com alguma das formas de bullying, comprovando, assim, que essa prática ainda é comum nas escolas brasileiras. Nessa visão, a psicóloga Zildinha Sequeira afirma que essa prática sistemática têm se intensificado com o uso das redes sociais, onde os indivíduos passam a sofrer agressões físicas, psicológicas e morais dentro e fora do ambiente escolar. Logo, é nítido que o bullying tornou-se barreira rumo ao desenvolvimento do país.

Nesse cenário, a perpetuação dessa forma de agressão pode levar a traumas físicos e psicológicos entre as vítimas, bem como o desempenho escolar dos mesmos. Sob essa ótica, a série cinematográfica ‘’13 Reasons Why’’ relata a história da jovem Hannah Baker que, ao sofrer uma série de perseguições e agressões sistemáticas na escola e nas redes sociais, desenvolve um quadro clínico depressivo e, por consequência, comete suicídio. Para além da ficção, essa é uma realidade de muitos jovens brasileiros que, devido a impunidade e a falta de diálogo, sofrem com as sequelas desse estigma. Ademais, dados do Ministério Público mostram que o bullying está ligado ao baixo desempenho e evasão escolar entre os jovens brasileiros. Sendo assim, o país tem um longo caminho a percorrer rumo a solução dessa problemática.

Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para combater esse hematoma social. Nessa égide, o Estado, através da Secretaria de Direitos Humanos, deve fazer campanhas nos veículos midiáticos, principalmente nas redes sociais, com o intuito de divulgar informações a respeito da Lei Antibullying e, também, sobre as consequências dessa prática sistemática. Além disso, as escolas devem, por meio de aulas interdisciplinares, abordar o tema em sala, com vistas a explicitar a gravidade do assunto, incentivando o compartilhamento de experiências por vitimas e agressores e combater a agressão. Feito isso,  o Brasil terá uma nova realidade.