O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 23/06/2021
O filme “Extraordinário” retrata a história de August, um menino que, após nascer com uma deformidade facial e passar por 27 cirurgias plásticas, começa a frequentar a escola regular. Na obra, várias crianças fazem bullying com o garoto por conta de sua aparência, o que ocasiona muito sofrimento para ele. Fora da ficção, a intimidação e a perseguição também estão presentes no corpo social brasileiro, atingindo principalmente as crianças e os jovens. Sob esse viés, a principal causa do problema está ligada às raízes sociais, as quais o faz persistir na sociedade e gerar consequências que devem ser analisadas.
Em primeiro lugar, é importante destacar a teoria da tábula rasa, exposta pelo filósofo John Locke. Segundo as ideias do estudioso, a mente humana surge como uma folha em branco, que é moldada aos poucos, com a aquisição de conhecimento e experiência. Nesse âmbito, constata-se que o preconceito não é algo inato, isto é, presente no ser humano desde seu nascimento, mas sim assimilado com base nas vivências. Dessa maneira, ao ter acesso a comentários e a atos ligados à discriminação e à intolerância, as crianças adquirem tais comportamentos e os reproduzem durante sua vida. Assim, o bullying permanece de forma cíclica e é transmitido de geração em geração, o que dificulta seu combate e desvencilhamento em relação à coletividade nacional.
Por conseguinte, a dimensão da problemática cresce cada vez mais e muitas pessoas sofrem com isso. De acordo com dados do Pisa, o Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes, cerca de um a cada dez brasileiros sofrem bullying nas escolas. Com efeito, o desinteresse na escola, o isolamento, os ataques de pânico e a ansiedade afetam as vítimas. Desse modo, verifica-se no país uma quantidade relevante de jovens depressivos, com dificuldades de criar e manter relações interpessoais e com baixa auto-estima. Sob tal ótica, também são compreendidos reflexos na estrutura econômica, já que esses indivíduos não conseguem se desenvolver em empregos que exijam contato social, e no contexto coletivo, visto que os relacionamentos tornam-se frágeis e supérfluos.
Observa-se, portanto, que as razões sociais exprimidas representam uma ameaça à tentativa de suprimir o bullying no Brasil. Destarte, é necessário que as escolas e a família trabalhem em união para eliminar os estigmas e os preconceitos logo na infância. Isso deve ser feito por meio da disponibilidade de aulas de sociologia que abordem as diferenças e a sua aceitação, do incentivo à leitura de livros sobre a diversidade e de conversas que mostrem que a variedade deve ser aceita, a fim de que haja repeito e acolhimento para todas as pessoas. Somente assim, será possível combater a discriminação no país e criar uma sociedade melhor.