O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 13/05/2021

A série americana “Todo mundo odeia o Cris”, que fez grande sucesso no Brasil, retrata de forma cômica a rotina de abusos sofridos pelo estudante Cris em sua escola. Para além da ficção, essa é uma realidade nada engraçada presente na vida de diversos estudantes brasileiros vítimas do bullying. Tal problemática está relacionada com a carência de profissionais especializados nas escolas e, sobretudo, pelo contexto social e doméstico das crianças violento. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, a maioria das escolas brasileiras não dispõem de piscicólogos em seu quadro de profissionais para aconselhar os professores. Esse desamparo reflete na tomada de decisões equivocadas por parte do corpo docente ou até mesmo na dificuldade de reconhecer a existência dos abusos, confundindo a intimidação sistemática e persistente - que caracterizam o bullying - com as brigas comuns. Dessa forma, acabam não intervindo precocemente, o que faz com que três a cada dez crianças sofram bullying, conforme os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Essa imperícia infelizmente vai continuar impactando toda a sociedade com eventos como o massacre de Realengo equanto não forem tomadas providências eficazes.

Em uma segunda análise, o ambiente doméstico desrespeitoso presenciado pelos jovens influencia em seu comportamento agressivo nas escolas. Segundo a Associação Americana de Piscicologia, crianças e adolescentes que crescem em lares violentos apresentam três vezes mais chances de repetir a violência do que quem cresce em ambiente saudável. Assim, é importante ressaltar que o aluno que pratica ou incita o bullying é também uma vítima do processo de construção social pautado na dominação - patriarcalismo - e que necessita de ajuda. Logo, o debate acerca do tema deve ultrapassar as fronteiras da escola para atingir o âmago do problema.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação - como órgão promotor de políticas públicas de educação - em parceria com o Congresso Federal, institua lei que determine a criação em todas as escolas de um núcleo de acessoramento aos professores, pais e alunos acerca do tema bullying e congeneres, composto por piscicólogos e assistentes sociais, tendo como política a integração escola-pai-aluno em suas atividades. Essa ação tem a finalidade de capacitar todos os envolvidos na edução da criança a reconhecer os sinais da violência sistêmica e intervir prematuramente para evitar danos irreversíveis, procurando criar uma cultura de paz.