O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 25/07/2021
O livro “Carrie, a estranha”, de Stephen King, apresenta o cotidiano de Carrie White, uma adolescente que é constantemente assediada pelos colegas de classe. Fora da ficcção, o bullying também é um fenômeno recorrente no Brasil, sendo praticado, principalmente, por jovens em formação de personalidade. Nesse ínterim, tal violência revela a necessidade do combate a preconceitos enraizados na sociedade, responsáveis por influenciar a juventude a reproduzir essa intolerância. Caso contrário, o bem-estar de inúmeras crianças e adolescentes será, progressivamente, comprometido.
A princípio, pode-se relacionar a problemática com o pensamento de Pierre Bordieu, na Teoria Habitus. Segundo o sociólogo, a sociedade apresenta arquétipos naturalizados e, posteriormente, replicados. Entre eles, o ódio e a discriminação a minorias. Tendo em vista isso, diversas crianças e adolescentes, por serem facilmente influenciáveis, ao se depararem com discursos intolerantes proferidos, por exemplo, pela família, podem acabar destilando tais ideais, a fim de sentirem pertencentes à hegemonia. Nesse viés, muitos jovens praticam bullying contra outros os quais não se encaixam em determinados padrões. Como apontado por um levantamento da Comissão de Direitos Humanos, cerca de 73% de estudantes LGBT já sofreram algum tipo de perseguição nas escolas. Logo, sem um cobate à mentalidade discriminatória, esse impasse, dificilmente, será solucionado.
Consequentemente, o impacto dessa intolerância sobre o bem-estar de suas vítimas torna-se cada vez mais visível. Isso porque, a constante exposição a abusos induz uma grande fração da juventude brasileira a enfrentar problemas na construção de sua autoestima, além de serem mais propícios a desenvolver disfunções como depressão e ansiedade. De acordo com dados da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 6 em cada 10 adolescentes recorrem a drogas depressoras, ao serem alvos de bullying. Sendo assim, caso não haja providências mais eficazes para a prevenção do assédio, o mesmo tenderá a transformar-se em um problema de saúde pública.
Portanto, medidas são necessárias para resolver essa questão. É preciso fazer com que os jovens sejam menos expostos e influenciados por discursos de violência. Visando isso, as escolas devem promover palestras com pais e responsáveis, no intuito de conscientizá-los sobre a importância de ensinar aos filhos ideais de respeito e aceitação às diferenças. Além disso, tais eventos podem alertá-los sobre a existência da Lei Antibullying e as penalidades atreladas a mesma. Ademais, o Governo, por meio da taxação de fortunas concentradas, pode direcionar mais verbas para ampliar a contratação de psicólogos em instituições de ensino, a fim de preservar a saúde mental de estudantes que sofram ou pratiquem alguma perseguição. Espera-se, com essas ações, um combate eficiente ao bullying.