O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 24/05/2021

O renomado cientista Albert Einstein declarou, no século XX, que a tecnologia havia ultrapassado a humanidade, de forma que, em dado momento, perderíamos o controle de sua gestão. Com efeito, tal posicionamento mostra-se, nos dias de hoje, acertado, uma vez que o bullying persiste e, com o advento das redes sociais, se intensificou. Essa prática existe intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela posição inerte governamental, seja pelas insuficiências de caráter social.

É inquestionável a participação da Escola no problema. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é resguardado, pelo Governo Federal, o direito aos jovens ao pleno desenvolvimento mental, espiritual e psicológico. No entanto, é evidente o desamparo prestado às escolas uma vez que casos de bullying não são recebidos com amparo necessário. Isto é, as vítimas de bullying e cyberbullying carecem de atendimento psicológico e emocional e, de forma semelhante, carecem de uma figura no âmbito escolar exclusivamente para tratar dessas questões. Destarte, esses fatos contribuem com a manutenção do problema no efeito de impedir as denúncias, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Outrossim, a insuficiência social a respeito da questão configura-se como uma grande percursora dessa incógnita no Brasil. John Locke acreditava que as pessoas nasciam como uma folha em branco, preenchida pelas experiências e pelo meio, o que contribuía para a propagação de certos valores da sociedade. À luz disso, a permanência do bullying e, principalmente, do cyberbullying faz-se clara à medida que a sociedade valoriza padrões de beleza, raça e classe. Dessa forma, grupos de jovens que não se encaixam nesses padrões são excluídos e, em última instância, vítimas de bullying, constituindo esses um grande moto-perpétuo para a continuidade da problemática.

Tendo em vista os fatos supracitados, é precisa a mobilização de esforços, sobretudo nos conflitos de âmbito estrutural e social, a fim de combater as diferentes modalidades do bullying. Assim sendo, cabe ao Governo Federal exigir do Ministério da Educação uma reforma na estrutura da dinâmica das escolas, que devem passar a ter um psicólogo supervisionador presente no horário letivo, sendo ele o responsável por atender os diferentes casos de bullying, convocar os pais e, a depender do caso, a polícia. Paralelamente, p Governo Federal deve promover campanhas midiáticas contra o bullying, que devem ser reproduzidas através de propagandas televisivas e via cartilhas distribuídas municipalmente, visando a integração de diferentes setores da sociedade. Assim, construir-se-á um Brasil fiel às leis e distante do pessimismo de Einstein.