O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 26/06/2021

O longa-metragem “Um grito de socorro” alude ao quadro vivenciado por Jochem, que sofre de constantes agressões físicas e verbais em âmbito escolar, em virtude de seu porte físico, o que o leva a cometer suicídio. Dessarte, assim como o protagonista do filme, que não teve apoio efetivo da escola e, tampouco, de seus colegas, muitos brasileiros são submetidos ao bullying. Diante desse paradigma, é fundamental entender o papel da escola para o combate desse dilema, bem como o aumento da violência como principal consequência, a fim de elaborar meios que, de fato, solucionem tal impasse.

Nessa perspectiva, é notória a função do ensino escolar para o fomento de uma sociedade cujo pilar seja a alteridade. Desse modo, partindo do pensamento do escritor mineiro Rubem Alves, o qual considera que “sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido”, observa-se que um ensino isento de debate acerca do símbolos de opressão, cujo intuito seja um convívio mais empático entre os indivíduos, é fator que se reverbera na persistência dessa problemática no tecido social. Assim, percebe-se que a escola deve atuar dando uma maior ênfase às políticas de convivência escolar, as quais demonstrem um diagnóstico que possibilite a identificação dos alunos opressores e oprimidos - à medida que violências têm sido mascaradas sob justificativa de se tratarem de brincadeiras -, dado que a detecção desse problema, muitas vezes, acaba por ser um desafio.

Outrossim, a persistência desse problema fomenta uma sociedade permeada por uma cultura violenta. Dessa forma, ao tomar como base o pensamento do jornalista Gilberto Dimenstein, para quem “a violência só gera mais violência”, a perpetuação do preconceito imposto a um indivíduo, de forma constante, faz com que, tanto ele, quanto o seu opressor, reproduzam esse comportamento e interiorizem o ideal de que a conduta agressiva é a melhor maneira de manifestar suas indignações e de demonstrar suas opiniões. Um exemplo disso, é o massacre ocorrido em Realengo - Rio de Janeiro - em que um ex aluno, que tinha sido vítima de bullying por vários anos na escola que atacou, com intuito de se vingar, mata vários alunos e, em seguida, comete suicídio.

Portanto, para a resolução da problemática, cabe ao Ministério da Educação elaborar simpósios propagados por meios midiáticos, como internet e televisão, e redigidos por assistentes sociais e psicopedagogos, a fim de interiorizar à população a gravidade do problema. Além disso, compete ao referido órgão a elaboração de cursos de capacitação - mediante uma Sala Virtual - que instruam os professores a perceber, lidar e coibir a prática do bullying em meio escolar, a fim de que eles estejam atentos a possíveis ameaças coercitivas que coloquem em risco a saúde mental do aluno. Almeja-se, com essa medida, que condutas preconceituosas, como ocorrido com Jochem, não ocorram no Brasil.