O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 23/07/2021

Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Sob tal ótica, a prática do bullying, sobretudo no Brasil atual, impede inúmeros indivíduos de viverem esse ideal platônico, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só pela falta de ações educativas em escolas, mas também por uma cultura de culto ao corpo. Assim, é essencial analisar tais fatores para combater essa mazela.

Em primeiro lugar, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da carência de ensino sobre o bullying em escolas brasileiras. Isso porque, mediante o baixo investimento público na educação, as instituições de ensino ficam muito limitadas e não conseguem adquirir bens materiais e nem professores qualificados para abordar o assunto. Prova disso é o resultado de pesquisas de 2019 da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico, que coloca o Brasil abaixo das médias mundiais no investimento nesse setor. Consequentemente, crianças e jovens não são devidamente conscientizados a respeito dessa questão e tendem a reproduzir a prática do bullying percebida diariamente no corpo social, pois, como explica o sociólogo Émille Durkheim, o homem nada mais é do que produto da sociedade. Logo, urge que a alteração desse quadro ocorra de imediato.

Além disso, a discussão em curso deriva ainda da cultura contemporânea de culto ao corpo. De acordo com o escritor George Orwell, as marcas controlam a massa popular. Nesse viés, as grandes empresas, ao difundirem ideais de corpo e de aparência nos meios de comunicação - publicidade essa que gera muita receita - estão moldando a sociedade em torno de um padrão que homogeneiza a massa e descarta as individualidades, as quais existem e devem ser reconhecidas. Em virtude disso, cria-se o ambiente ideal para a prática do bullying se alastrar, já que todos aqueles que não se encaixam nos padrões estabelecidos, como indivíduos deficientes ou acima do peso, estão automaticamente sujeitos a agressões contra a sua individualidade.

Portanto, de modo a estabelecer um eficiente combate ao bullying no Brasil, medidas exequíveis devem ser tomadas. Primeiramente, compete ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social destinar mais verba para escolas públicas. Isso deve ser feito em parceria com o Ministério da Educação por meio do investimento em palestras educativas - as quais devem ser ministradas por especialistas na área - que atuem na conscientização dos problemas causados pelo bullying a fim de que, desde cedo, as crianças e jovens estejam desvinculados dessa prática. Por fim, cabe às grandes empresas do país exercerem a sua influência sobre a massa de forma positiva, mediante a veiculação de material publicitário que exalte as diferenças e desconstrua os ideais de corpo perfeito que existem.