O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 01/08/2021
Na série “Anne With An E”, na nova escola a personagem principal Anne, é mal tratada e ridicularizada por seus colegas por ser órfã, adotada e ter cabelo ruivo. Além disso, ela é constantemente excluída, o que causa um sentimento contínuo de rejeição e não pertencimento pela menina. Fora da ficção, o bullying ainda afeta muitos jovens que sofrem de intimidações, humilhações, xingamentos e agressões constantes e repetitivas. Diante dessa perspectiva, a negligência escolar e a omissão governamental agravam a problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a despreocupação das escolas como um problema. Sob esse viés, no seriado “13 Reasons Why”, a protagonista Hannah Baker sofre bullying, e em uma tentativa desesperada recorre por ajuda de sua escola, que a ignora e não oferece assistência para ela. Nessa lógica, esse tipo de opressão pode acontecer em qualquer lugar, mas infelizmente, onde mais ocorre essa prática é nas instituições de ensino. Nesse sentido, sem um auxilio fornecido por essas, as consequência desse ato de violência podem ser devastadoras e irreversíveis para as vítimas, que podem desenvolver quadros de depressão, transtorno de ansiedade, síndrome de pânico e até mesmo suicídio. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, uma vez que conforme a Unicef, uma em cada três crianças já é vitima de bullying.
Ademais, é fundamental apontar a escassez de políticas públicas como impulsionadora da questão no Brasil. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, assegura em seu artigo 5° que ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano degradante. Nessa linha de raciocínio, é função do estado garantir a universalização desse direito para todos os brasileiros. No entanto, observa-se uma omissão estatal para redução das estáticas do bullying, já que a lei 13.663/2018, determina como função das escolas a conscientização e o combate desse ato. Desse modo, torna-se necessário a efetivação dessa lei para o real combate dessa violência.
Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parceria com as mídias e psicólogos, deve realizar a elaboração de campanhas publicitárias, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão, escolas e mídias digitais, com o objetivo de explicar o que é o bullying e as consequências desse para as vítimas, além de fornecer apoio psicológico para as pessoas afetadas de forma gratuita, a fim de incentivar o combate ao bullying no Brasil. Assim, será possível uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.