O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 18/08/2021

A obra “Extraordinário”, de R.J.Palacio, retrata a história de Auggie Pullman, um garoto que, por possuir características físicas diferentes dos seus colegas de classe, foi vítima de bullying em seu colégio. Para além da ficção, observa-se, na conjuntura hodierna, uma triste realidade nos diversos âmbitos da sociedade brasileira, na qual a prática do bullying é um cenário comum, principalmente pelos corredores das escolas. Sob esse prisma, verifica-se um delicado problema que necessita ser combatido, tendo como principais causas a presença de uma mentalidade social antiquada, somada à precariedade de um ensino educacional humanizado.

Nessa perspectiva, é evidente como a presença de pensamentos obsoletos por parte do corpo social é uma das razões pelas quais o problema existe. Esses pensamentos se encaixam, sobretudo, na teoria do fato social do sociólogo Émile Durkheim, que afirma que essa é uma forma coletiva de agir e pensar que guia a população. Seguindo o raciocínio, evidencia-se que o bullying é um fato social, visto que o preconceito que rege as ações discriminatórias é perpetuado pela sociedade e , por conseguinte, leva as pessoas a agredirem fisicamente e verbalmente aqueles que consideram diferentes. Sendo assim, urge que tal cenário seja revertido, visando um convívio justo e pleno em sociedade.

Em paralelo, salienta-se que a carência de um ensino que vise educar as pessoas a conviver plenamente em sociedade é outro entrave presente na problemática. Em meio a isso, é pertinente trazer o pensamento da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas importantes paras as inquietudes modernas. Desse modo, é nítido a falta de um ensino que não tome somente atitudes diante dos casos de bullying, mas que, sobretudo, visa educar os jovens brasileiros sobre a sua gravidade e e suas respectivas consequências na vida das vítimas. Logo, faz-se necessário uma maior intervenção educacional no que tange à prática do bullying que ocorre nos colégios do Brasil.

Torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater esse entrave. Acerca disso, cabe às instituições educacionais, principal mecanismo promotor da conscientização social, investir em campanhas educativas sobre o bullying e seus males. Para isso, as escolas devem promover oficinas e palestras anuais com profissionais pedagogos, apresentando a temática por meio de discussões e ensinando os alunos no cotidiano a colocar tais aprendizados em prática. Dessa maneira, será possível disseminar ensinamentos que, em dado momento, tornariam-se em um fato social, como afirma Durkheim.