O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 23/08/2021

Em março de 2019, a cidade de Suzano, em São Paulo, presenciou um dos mais terríveis episódios da história brasileira. Dois jovens, relacionados ao corpo escolar, cometeram um atentado que vitimou, fatalmente, 8 estudantes. O atentado está relacionado à prévio histórico de bullying aos criminosos. Nesse sentido, é fundamental destacar que este assunto é perene e tem como agravantes a reprodução, por parte dos agressores, do ambiente de convívio familiar hostil e a negligência governamental no trato com o problema, motivos os quais dificultam o combate ao bullying no Brasil.

Em primeira análise, é necessário destacar que as agressões são, em grande parte, uma consequência das experiências vivenciadas pelos “bullies”. Os ataques, a impaciência e a intolerância são respaldos daquilo que o individuo vive em casa, ou presencia na comunidade ao seu entorno. Como prova disso, destaca-se uma pesquisa feita pela Escola de Enfermagem da USP, feita com indivíduos de 10 a 19 anos, a qual identificou alguma disfuncionalidade, como falta de afeto, falta de comunicação ou também de omisso cuidado, na grande maioria das famílias dos praticantes de bullying. Por conseguinte, infere-se que esse âmbito social  familiar problemático pode desenvolver padrões agressivos em crianças, as quais, os repetem no âmbito escolar. Dessa forma, essa problemática necessita de atenção para que seja possível efetivar o combate ao bullying no país tupiniquim.

Além disso, é deveras importante salientar que a negligência governamental colabora, indiretamente, com o agravamento do panorama. De acordo com a lei 13.195/2015, a lei anti-bullying, uma série de medidas de para identificar e combater esse tipo de violência nas escolas deveria ser implementado. No entanto, a realidade brasileira demonstra que essa lei está restrita somente a teoria, visto que na prática o problema ainda continua, seja por falta de fiscalização ou monitoramento, ou falta da criação e implementação de práticas preventivas nos ambientes propícios a tal. Sendo assim, é imprescindível que medidas sejam tomadas a fim de remediar essa negligência.

Portanto, evidencia-se que o cenário brasileiro é carente de alternativas para que o combate ao bullying no Brasil seja, de fato, realizado. Dessa forma, cabe ao Governo, principalmente na figura das equipes de Estratégia de Saúde da Família, promover a conscientização da população à respeito do tema e explicitar os efeitos danosos de um convívio familiar ruim, por meio de reuniões com estudantes e pais, além de palestras e convenções nas escolas, com o intuito de identificar relações danosas e criar relações mais saudáveis entre os familiares e assim, por consequência, diminuir a incidência de adolescentes praticantes de bullying no país verde e amarelo. Destarte, o episódio citado na introdução permancerá somente no imaginário distante do cidadão brasileiro.