O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 27/08/2021
Na obra “Preciosa”, da escritora norte-americana Sapphiere, observa-se a dura realidade de Clarice, uma jovem negra e gorda que sofre fortes represálias da sociedade e, principalmente, de seus companheiros de classe. Fora da literatura, infelizmente, tal cenário se perpetua nas escolas brasileiras e, com o advento tecnológico e a pandemia, se perpassa também no meio virtual, o que o torna um imbróglio de difícil atenuação. Sob essa Ótica, destaca-se o reconhecimento dos efeitos do “bullying” e a busca pela formação da moral como caminhos para se amenizar essa situação.
A princípio, sabe-se que a hostilidade nas relações sociais não é novidade. Por certo, o bullying traz vertentes preocupantes o qual, com o ensino a distância, são multiplicadas, pois na internet os ataques obtêm mais força e são acompanhados, o que induz maior exposição da vítima. Em confirmação, dados do Centro de Investigação Social do ISCTE mostram que 61,4% dos estudantes admitiu ter sido vítima de cyberbullying na pandemia. Por conseguinte, corolários como mudanças bruscas de comportamento são presenciadas, como o personagem Sem-Pernas, da obra “Capitães de Areia”, do escritor Jorge Amado, que correspondia ao preconceito sofrido com agressividade. Dessa maneira, tal fato ressalta a precisão do reconhecimento do viés alarmante das consequências do panorama.
Outrossim, vele relembrar que a possibilidade do anonimato intensifica a desinibição tóxica no meio online. Em analogia, possuir o livre-arbítrio em suas escolhas sem ser reconhecido cria um ambiente propício para o surgimento de “trolls”, termo que designa indivíduos que buscam a confusão. Por certo, esse contexto demonstra como o poder pode trazer o pior do homem, episódio presente no “Mito de Gyges”, do filósofo grego Platão, uma alegoria o qual mostra do que Gyges foi capaz ao obter o poder da invisibilidade, por meio do abandono de seus princípios. Sendo assim, nota-se que a formação de uma base ética sólida é um caminho para se evitar que más ações sejam realizadas, incluindo também a regulamentação dos atos na internet como algo imprescindível.
Portanto, admitir que os efeitos do bullying devem ser discutidos e demonstrar a importância da construção ética são meios de combate desse imbróglio. Diante disso, cabem às escolas, por meio de palestras e rodas de conversa guiadas pelos professores, discutirem acerca da perspectiva negativa do bullying e de seus efeitos, para que o assunto se torne mais comentado na sociedade e que ela mesma busque por ações do Estado. Ademais, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio da atualização do Marco Civil da Internet, criminalizar o anonimato e regrar ações na internet, a fim de evitar que mais ‘Gyges” realizem maus atos. Assim, a finalidade da ética platônica se tornará mais próxima, conduzir o homem a praticar o bem.