O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 31/08/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), proposta em 1948, prevê a todos os indivíduos o direito à dignidade. No contexto brasileiro, todavia, esse legado não é efetivado, devido ao continuísmo do bullying - que se caracteriza pelas agressões físicas, psicológicas e verbais contra outro indivíduo. Esse cenário, então, não só denota prejuízo à coesão social, como também fomenta a atuação mais incisiva da sociedade civil e da escola para combaterem essa realidade. Tal problemática, em suma, deve-se ao estigma de poder e de violência, bem como ao desrespeito às diferenças.
Em uma primeira análise, nota-se a consolidação da violência como via de aprendizado. Prova disso é o ensino escolar no período da Ditadura Militar Brasileira, que aplicava punições para um suposto aprendizado, e esse também era reproduzido pelos familiares no processo de educação das crianças. Sob esse prisma, o indivíduo constrói-se baseado nas relações hierárquicas de pais e de professores em uma conjuntura de repressão. Desse modo, há uma naturalização deturpada de poder e, a criança, então, propaga o bullying com outra pessoa para efetivar uma superioridade em outro relacionamento. Tal situação, no entanto, está em oposição ao livro “Pedagogia do Oprimido”, escrito pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire, pois ele propõe uma vinculação entre educandos e educadores, mediante um diálogo horizontal, o qual deve ser base para o processo de ensino. Logo, um ambiente de vínculo equânine é de grande relevância para evitar um futuro bullying.
Ademais, em uma segunda análise, observa-se que a desconsideração da alteridade corrobora a propagação do bullying. Exemplo disso é a série da Netflix “Os 13 porquês”, que aborda os motivos pelos quais a jovem cometeu autocídio, dentre eles, tem-se a violência simbólica. Apesar de ser uma composição seriada, esse quadro ainda persiste na realidade, devido ao fato de adolescentes fora do padrão serem constrangidas no meio social, assim como ocorreu com a personagem na obra. Posto isso, o respeito aos diferentes é decisivo para romper com o problema do bullying.
Percebe-se, portanto, que o direito à dignidade seja assegurado conforme a DUDH, com o intuito de combater o bullying no meio social. De início, cabe às instituições educacionais, enquanto agente social, promover a equidade das relações de ensino, por meio do diálogo com as famílias, com o objetivo de desvincular, o conceito de educação e de punição e, assim, associar o pensamento freiriano de didática, que se pauta no direcionamento da construção e, não a imposição do conhecimento. Paralelo a isso, o Ministério da Educação deve promover a capacitação dos professores, mediante cursos com psicopedagogos, com a finalidade de ensinar a detectar episódios de bullying - como ocorrido no “Os 13 porquês” - para evitar suícidio e fomentar o respeito às diferenças.