O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 09/09/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e de problemas, ou seja, não há discriminação tampouco a exclusão das minorias. Fora da ficção, vê-se que a realidade contemporânea brasileira diverge substancialmente do exposto no livro, em decorrência da presença de impasses sociais, como o bullying entre os jovens. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de empatia dos agressores, quanto dapostura social.
Convém ressaltar, diante dessa realidade, a fragilidade das relações atuais, sobretudo, no que se refere à incapacidade de colocar-se no lugar do outro, fato de maior ocorrência na juventude. De acordo com o sociólogo Bauman, o mundo da pós-verdade reflete a efemeridade das relações sociais, isto é, as trocas amorosas e amizades recíprocas tornaram-se cada vez mais raras em virtude da cultura imediatista presente no século atual, sendo que tal postura social personifica-se na falta de empatia. Na esteira dessa ideia, nota-se que os episódios de bullying entre os jovens brasileiros são resultados não somente dos costumes líquidos, mas também de costumes massificados compartilhados entre a juventude, caso contrário, os jovens que opõem-se às práticas comuns são excluídos. Dessa forma, é de suma importância a análise do imaginário cultural entre os jovens e a influência exercida pelos meios de comunicação na formação de um ideal de felicidade prejudicial.
Além disso, o bullying entre os jovens brasileiros contrasta com a visão deturpada socialmente, que enxerga as consequências ocasionadas pelas agressões físicas e/ou psicológicas como vitimismo. Segundo o pensador Lipovetsky, a sociedade contemporânea normatizou o compartilhamento de juízos de opinião simplistas sem a compreensão do contexto completo, em outras palavras, o corpo social simplifica coisas naturalmente complexas, como o bullying. Sendo assim, além dos impactos ocasionados aos jovens advindos de agressões psicológicas recorrentes, em escolas e mundo virtual, não ocorre o suporte adequado para as vítimas por parte da sociedade, tampouco a atuação governamental em escolas no intuito de mitigar a ocorrência das práticas discriminatórias.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas visando a redução da ocorrência das práticas do bullying entre os jovens,em especial, nas escolas. A Priori, compete ao Ministério da Educação-cuja função é cuidar do planejamento currícular brasileiro-, a promoção de ações afirmativas nas escolas no que se refere à conscientização dos jovens, por meio de palestras educativas, em que serão convidados profissionais de saúde, fornecendo conhecimento aos jovens acerca das doenças psíquicas que podem ser ocasionadas em virtude da discriminação social, com o intuito de reduzir os episódios discriminatórios na escolas brasileiras e garantir mais proteção aos excluidos das bolhas coletivas.