O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 10/09/2021
O documentário estadunidense “Tiros em Columbine” retrata o fato real em que adolescentes, prováveis vítimas de bullying, invadiram armados a escola em que estudavam e atiraram nos outros alunos. Essa realidade trágica é bastante próxima da brasileira, na qual massacres realizados por vítimas dessa agressão reiterada já ocorreram, por exemplo, na cidade de Suzano. Dessa forma, a prevenção aos casos de bullying no país, a fim de evitar tais consequências graves, envolve a participação das escolas e a atuação de uma rede de apoio psicológico, tanto para as vítimas, quanto para os agressores.
Sob esse viés, em primeiro lugar, é notória a importância da escola como ferramenta social de combate ao bullying. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a escola é o mecanismo de socialização secundário, atuando como instituição imprescindível na preparação de indivíduos para a sociedade e na transmição de valores morais. Nesse sentido, além do papel da escola na formação de princípios, cabe ressaltar que o bullying é, majoritariamente, praticado nesse ambiente, haja vista a convivência intensa de crianças e adolescentes, o que ocorre, muitas vezes, por meio de relações hierárquicas baseadas na popularidade desses estudantes. Logo, é imperiosa a ação de profissionais da educação na formação de indivíduos tolerantes, bem como para impedir qualquer violência continuada entre alunos.
Ademais, em segundo lugar, é necessário discutir a urgência do atendimento psicológico para as vítimas e para os agressores em situações de bullying. Isso ocorre porque os eventuais danos físicos e psicológicos causados às vítimas geram consequências negativas para a vivência saudável dessa fase da vida, uma vez que os estudantes que sofrem tais agressões, comumente, buscam se isolar e podem criar repulsão ao ambiente escolar. Adicionalmente, os praticantes de bullying costumam reproduzir comportamentos vivenciados em uma rotina familiar doentia, de maneira que essa normalização da violência deve ser tratada por profissionais da saúde especializados. Tendo em vista essa perspectiva de acolhimento, a Lei 13.185 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (PCIS), cuja prioridade é combater o bullying por meio do diálogo e da conscientização.
Portanto, é urgente mitigar a prática do bullying na sociedade brasileira. Cabe ao Ministério da educação, por meio da inclusão no plano curricular das escolas, promover aulas sobre os malefícios do bullying, tanto para quem sofre, quanto para quem agride, o que deve ser feito, especialmente, com o apoio de professores e psicólogos, a fim de otimizar o combate a essa prática. Cabe, ainda, a União, promover o PCIS, com o intuito de evitar casos como o do colégio em Columbine.