O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 14/09/2021
A série norte-americana “Todo mundo odeia o Chris” tematiza, sobretudo, a violência física e psicológica sofrida pelo personagem principal, de forma repetida e contínua, devido à sua cor. De forma semelhante, nota-se, na realidade brasileira, a prática do bullying, o qual, motivado pelo enraizamento de concepções preconceituosas e pela displicência familiar relativa a formação de comportamentos dos filhos, acarreta efeitos negativos ao indivíduo a curto e médio prazo.
É importante ressaltar, incipientemente, que a perpetuação de preconceitos relacionados à origem étnica, religião, classe social e orientação sexual, por exemplo, condiciona a adoção de comportamentos agressivos na atualidade. Nesse sentido, é válido referenciar o sociólogo Pierre Bourdieu, que afirma que a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz as estruturas sociais a ela impostas. Desse modo, ao estarem inseridos em um ambiente que, historicamente destila o preconceito, crianças e adolescentes tendem a repecurtir, no ambiente escolar, tais concepções por meio do bullying.
Somado a isso, a negligência familiar no que tange à construção de condutas dos jovens acentua a problemática. De acordo com Émile Durkheim, a displicência da família pode ocasionar falhas no desenvolvimento de comportamentos. Por essa razão, pode-se afirmar que, ao não conversar e orientar seus filhos acerca do bullying e da forma como devem agir com seus colegas, os pais corroboram a presença de tal violência nas escolas, haja vista que, muitas vezes, a criança ainda não tem maturidade para entender suas ações e normalizam tais hábitos ao longo da vida. Assim, diversos efeitos negativos a curto prazo são percebidos, a exemplos de prejuízos psicológicos – como a ansiedade e a depressão –, e da evasão escolar, bem como efeitos a médio prazo, exemplificados por traumas que levam os indivíduos a repetir as agressões sofridas em seu cotidiano.
Portanto, é inquestionável a necessidade de medidas que visem reduzir a prática do bullying. Para isso, é imprescindível que as escolas realizem projetos que desconstruam preconceitos e promovam maior integração entre alunos, nos quais informações sobre o bullying e sobre as vantagens da diversidade sejam mostrados – por meio de palestras com professores de sociologia e psicólogos. Visa-se, dessa maneira, desfazer, paulatinamente, a visão discriminatória dos alunos e erradicar tal violência das escolas brasileiras.