O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 23/09/2021
A série americana Todo Mundo Odeia o Chris mostra de forma sarcástica como o “bullying” pode afetar a vida de uma criança ou adolescente, seja dentro ou fora do ambiente escolar. Neste sentido, no Brasil, tal violência é persistente, em especial, pela ausência de uma diretriz nacional para o seu combate e pela sua virtualização. Logo, analisar esses problemas e buscar solucioná-los é necessário.
Em primeiro lugar, vale destacar a falta de um plano efetivo de combate ao “bullying” em território nacional. Apesar da sansão da Lei Antibullying, em 2015, inexiste uma diretriz para que ela seja aplicada a todos os lugares. Dessa maneira, não há um parâmetro de combate entre as escolas públicas e privadas, por exemplo, o que torna o assunto secundário, as práticas corriqueiras, além da impunidade como modelo. A exemplo têm-se o Massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, em que um jovem, traumatizado, entrou na escola onde estudava quando criança e matou estudantes motivado pelo “bullying” que sofria dentro da instituição.
Em segundo plano, pode-se mencionar a ampliação dessas agressões para o meio virtual - o “cyberbullying”. Geralmente, o acesso a internet provoca a sensação de anonimato e impunidade, o que leva os agressores a divulgarem ofensas de forma livre e a atingirem muito mais espectadores para a sua ação. Tal realidade contribui para o conceito de banalidade do mal, proposto pela filósofa Hannah Arendt, o qual relata a falta de reflexão sobre o bem e o mal a ponto de se enxergar a violência como algo natural e, até, necessária.
Torna-se evidente, portanto, que o “bullying” é uma ação que precisa ser discutida, como na série americana, e combatida para a manutenção do bem estar social. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, deve implementar no currículo escolar semanas de discussões sobre temas que impactam a vida do estudante, entre eles o “bullying”, por intermédio de aulas interdisciplinares, apoio psicológico gratuito e campanhas nacionais que alertem as famílias sobre essa violência, a fim de fomentar o senso crítico popular e direcionar as escolas sobre as ações a serem tomadas.