O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 03/10/2021
A série norte-americana “13 Reasons Why” narra à história de uma jovem que sofreu constantes perseguições sistemáticas de seus colegas, fator que contribuiu para que ela tomasse a decisão de tirar a própria vida. Fora da ficção, determinados indivíduos sofrem de forma análoga a protagonista, haja vista que o preconceito, manifestado na forma de violência simbólica, quanto a inércia das organizações sociais acarreta na problemática do bullyng no Brasil.
Nessa conjuntura, convém enfatizar que discriminação está entre as principais causas do revés. Para compreender essa lógica, pode-se mencionar o sociólogo Pierre Bourdieu e seu conceito de “Violência Simbólica”, o qual ocorre sem uso da força física, mas como uma coação que se apoia no reconhecimento de uma imposição determinada, seja esta econômica, social ou simbólica. Nesse viés, certos sujeitos ao praticarem aversão a determinadas características físicas, comportamentais ou socioeconômicas estão manifestando a violência cunhada por Bourdieu, visto que a ação de segregar em razão dos aspetos citados promove a agressão simbólica, contexto que desencadeia consequências negativas a quem sofre, como por exemplo, o distanciamento social. Ocorre que, lamentavelmente, o tecido social é um promotor da continuação da temática.
Ademais, é lícito postular que a omissão das instituições sociais é um dos principais fatores que agravam o impasse. Nesse sentido, a Lei 13185, popularmente conhecida como Lei Antibullyng, que entrou em vigor em 2015, estabelece o dever dos estabelecimentos de ensino e agremiações em assegurar a prevenção, o combate à violência e à intimidação sistemática. Entretanto, a conjuntura contemporânea revela-se oposta ao que está instituída na lei, dado que a concretização dos objetivos não acontece de modo efetivo, razão resultante da insuficiência de planejamento e execução de medidas para atenuar o problema do bullyng. Logo, é notório que ainda há obstáculos para efetivar as finalidades da norma.
Depreende-se, em suma, a necessidade de ações para mitigar a problemática. Para tanto, com o objetivo de reduzir os efeitos negativos do bullyng na sociedade brasileira, o Ministério da Educação deve planejar e organizar projetos educacionais que visam o rompimento de estigmas sociais - que pode ocorrer, por exemplo, com atividades em grupo que incentivem o acolhimento das diversidades, por meio das Superintendências Regionais de Ensino de cada estado - instituição responsável por coordenar ações pedagógicas, administrativas e de gestão de recursos humanos nas escolas. Desse modo, o infeliz cenário retratado na série ocorrerá em menor frequência.