O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 05/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6, o direito à educação e à segurança como inerentes a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase, na prática, quando se observa o combate ao bullying no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. O problema está no desrespeito e na discriminação que pessoas fora do “padrão” de beleza estabelecido pela sociedade sofrem, fazendo com que muitas ainda suportem o bullying em nosso país.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o bullying no Brasil, causando angústia, baixa autoestima, transtornos de ansiedade e até sintomas depressivos às vítimas. Nesse sentido, o país fica sobrecarregado em ver métodos para solucionar tal problema. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação e à segurança, pois tendo em vista que à medida que aumentam as agressões e violências, esse grupo de pessoas está mais sujeito a sofrer desrespeito e discriminação devido a sua aparência.

Ademais, vale ressaltar que conforme o site G1, após realizado o levantamento em 2019, “22% dos estudantes e 16% dos professores relataram situações de bullying e discriminação dentro das escolas”. A pesquisa também mostrou que 38% dos alunos e 34% dos professores foram discriminados ou intimidados por divulgarem certas opiniões, ou ideias. Ainda convém lembrar do filme “Extraordinário” retratando a história de um garoto com uma deformidade facial devido a uma rara síndrome, tornando sua aparência diferente das outras crianças. Assim, quando ingressou na escola, passou a ser alvo de bullying. Apesar da ficção do filme, a temática é vivenciada por vários jovens no Brasil.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo do Brasil e o Ministério da Educação, por intermédio de palestras online com especialistas da área e campanhas em programas de televisão, mostrem situações de vítimas que tenham passado por essa experiência, a fim de amenizar os problemas causados pelo bullying. Assim, se consolidará uma sociedade mais consciente, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.