O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 05/10/2021

Na série de TV “Preciosa” de 2009, o papel de Claireece provou que os Estados Unidos estavam discutindo o tão perigoso bullying há 29 anos. Violada pelo pai e deixada de lado pela mãe, esta jovem de 16 anos, que já teve um filho, ainda enfrenta a dura devassidão da sala de aula, que agravou seu isolamento e a afastou da escola. No Brasil, a realidade não é exceção. Porém, esse assunto só ganhou real visibilidade a partir do ano de 2016, onde foi imposta uma lei de combate e prevenção ao bullying. Percebe-se que, ao contrário da situação dos EUA, a luta aqui ainda é recente e precisa ser levada a sério no ambiente escolar e familiar. Em primeiro plano destaca-se a importância das escolas para lidar com o bullying e outros comportamentos. Isso porque, além da simples exposição de conteúdo, também têm a responsabilidade de educar os alunos para a convivência nas relações coletivas, pessoais e profissionais. Paulo Freire já falava sobre a “cultura da paz”, enfatizando o papel da educação na exposição das injustiças, no incentivo à cooperação, à convivência com o diferente e à tolerância. Isso prova que as instituições precisam trabalhar o assunto dentro e fora da sala de aula para combater a violência entre alunos e entre professores e alunos. Porém, há outro fator muito importante nessa luta: a família. Embora a maioria dos acidentes envolvendo bullying ocorram nas escolas, eles também podem ser resolvidos com a ajuda da pessoa responsável. Porém, para isso, o ambiente domiciliar deve ser acolhedor, não repugnante. No filme, a mãe de Preciosa não apoia a filha, não se preocupa com os problemas dela e até permite que o paí abuse dela. Se o espaço privado não for para compreensão, os problemas da rua serão exacerbados, aumentando a sensação de isolamento do indivíduo. Claireece escondia-se em sua imaginação, essa era a única coisa que realmente a aceitava como ela era. Portanto, é compreensível a necessidade de discutir essa questão e o papel da escola e das famílias nessa luta. Inicialmente, o poder público, ou seja, os legisladores criadores da lei que incentiva o combate à prática, podem fiscalizar as instituições e fazer valer o conteúdo do Diário Oficial, podendo contratar mais psicólogos para as escolas e promover a capacitação. A mídia deve denunciar os casos, a fim de facilitar o trabalho do governo e, é claro, conscientizar a população. Deve também trazer a discussão para a família por meio de ficções, mostrando a importância de se lidar com esse assunto em casa. A escola pode então convocar os pais a debater e demonstrar seu papel nesta prevenção por meio de palestras e reuniões de grupo. Só assim pode-se evitar o aparecimento de mais personagens como Preciosa no Brasil, 29 anos depois, que precisa sonhar para se livrar do pesadelo que tem persistido em sua vida.