O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 23/10/2021
O seriado biográfico “Todo mundo odeia o Chris” retrata o ambiente de uma escola pública americana na década de 1980, a qual servia de palco para a atos de agressão, insultos, perseguição e racismo contra o protagonista sem qualquer intervenção do corpo docente. Embora vetusto, tal cenário se assemelha ao contexto contemporâneo brasileiro, em que a escassez de políticas de proteção, a negligência das escolas e a omissão do grupo familiar tornam o bullying ascendente no país. Desse modo, tendo-se em vista a gravidade dessa problemática para a saúde mental e o desenvolvimento educacional das crianças e adolescentes, é necessário combatê-la de forma assertiva.
Em primeira análise, conforme o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir bem-estar social. No entanto, a escassez de legislações específicas que disponham sobre o bullying nas escolas, bem como a ausência de fiscalização e instrução dos profissionais de educação, atua como entrave para a efetivação desse direito. Essa conjuntura é alarmante, pois permite que muitas instituições de ensino sejam coniventes com atos de agressão, seja física, mental ou sexual, a qual acarreta em sérios prejuízos para a saúde e o desempenho escolar das vítimas.
Por conseguinte, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a civilização contemporânea é caracterizada pela fluidez dos laços afetivos e insensibilidade ao sofrimento alheio. Essa tese pode ser comprovada na realidade ao se observar a naturalização do bullying como uma brincadeira casual que levará ao amadurecimento dos envolvidos. Contudo, esse pensamento enraizado dificulta a denúncia das vítimas e favorece a recorrência dessa prática danosa no cotidiano.
Ademais, entra em questão a importância da conduta familiar, que deve ser uma aliada para solucionar o problema. Conforme a lei de seleção natural de Darwin, o ser se adapta ao meio em que vive. Dessa forma, uma criança criada em um meio violento desenvolve a tendência de internalizar esse comportamento e reproduzi-lo em outras situações futuras. Logo, é necessário que os pais e tutores sejam esclarecidos sobre a importância do diálogo pacífico e a instrução da prático do respeito.
Portanto, é dever das escolas promover projetos de combate e prevenção ao bullying de forma efetiva. Para isso, as direções devem promover treinamentos regulares dos profissionais da área da educação, de modo a instruir a identificação das manifestações de bullying nas escolas, e promover uma relação de confiança entre o aluno e o professor, a qual será fundamental para entender os desdobramentos da prática no cotidiano. Assim, no momento em que o colégio oferecer apoio e suporte, mais denúncias poderão ser realizadas e novos casos poderão ser evitados, de modo a beneficiar as crianças e adolescentes e preservar sua integridade física, moral e mental.