O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viès, talvez, hodiernamente, ao se deparar com os frequentes casos de bullying no Brasil, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete o caos, a desordem e a carência de respeito na sociedade, assim, evidenciando uma grave mazela social que precisa ser extinguida, pois, ela deturpa a harmonia coletiva.

Portanto, é mister anuir que o modelo educativo introjetado na criança na primeira infância, adjunto ao descaso do Governo, são os responsáveis pela cristalização do imbróglio no meio comunitário.

Em primeira instância, é mister assentir que a matriz educativa apresentada a criança durante seus primeiros estímulos possui demasiada relevância para determinar o modo como ela irá se comportar, haja vista que, suas experiências pessoais vão influenciar na sua postura e na sua construção como agente social, além disso, vivencias negativas como a exposição à ações agressivas, aversivas e repressoras desempenham uma papel importante, pois, são os responsáveis pelo o desenvolvimento do indivíduo enquanto um ator do bullying. Nesse contexto, é notório a veracidade do “Determinismo Social”, o qual alega que o meio em que uma pessoa é exposta, determina sua vida e seus atos, logo, torna-se explícito a necessidade de evitar que as crianças sejam submetidas a situações repulsivas, dessa maneira, assegurando que não serão influenciadas a virarem, futuramente, bullies.

Em segunda análise, urge ratificar que o poder público se torna responsável pelo cenário excruciante, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o bullying no Brasil, ele se tornou complacente. Dessa forma, contribuindo para o progresso desse empecilho no corpo social, ignorando sua obrigação com o povo brasileiro de garantir o bem-estar comunitário. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, para nomear instituições que não cumprem com suas funções e, no entanto, mantém a sua forma, Ademais, há uma violação a Constituição Federal de 1988, uma vez que os bullies praticam violência verbal e física, logo comprometendo as vidas de suas vítimas, promovendo medo, raiva, tristeza e o sentimentos negativos.

Dessarte, para evitar um panorama semelhante ao do século XVII, o qual era vítima das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova uma reforma no sistema educativo, o qual tem grande influencia na construção social das crianças, expondo elas a ambientes receptivos, empáticos e amorosos, voltados a desenvolverem essas características, por meio de um grande investimento e ações conscientizadoras, as quais visem promover o respeito. Desse modo, exterminando o bullying e corroborando o bem-estar social.