O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 16/11/2021
Para o filósofo Giorgio Agamben, o estado de exceção, isto é, a supressão de direitos em casos específicos, tornou-se cotidiano na vida de certos civis, como os jovens desprovidos de proteção contra a violência nas escolas. Sob essa ótica, nota-se que, no Brasil, a problemática do bullying é alarmante, seja pela falta de atuação das autoridades escolares ou pelo atual machismo impregnado no país. Logo, é fundamental romper tal paradigma anacrônico da esfera educacional.
Nesse contexto, deve-se pontuar que agressões físicas ou psicológicas ocorrem nas instituições de ensino, em parte, pela ausência de professores capacitados para combater o bullying, visto que, muitas vezes, cenários graves são resultantes de tal falha. Exemplo disso foi o caso do ‘‘massacre de Suzano’’, pois alunos de uma escola brasileira, sob pretexto de que sofriam bullying, assassinaram diversos estudantes da instituição. Diante disso, percebe-se a ineficácia da atuação de autoridades escolares, haja vista que, possivelmente, tragédias como essa poderiam ser evidadas com políticas de prevenção. Assim, é de suma importância reconstruir a ‘‘cidadania mutilada’’ de tais jovens, conceito do geógrafo Milton Santos, já que sem segurança o corpo estudantil não possui seus direitos garantidos.
Além disso, vale ressaltar que o bullying é praticado, também, em virtude do atual machismo cultural, haja vista que é corriqueiro que meninos efetuem xingamentos pejorativos contra algumas meninas, como chamar de ‘‘gorda’’ ou ‘‘magrela’’. Afinal, conforme aborda o documentário ‘‘O Silêncio dos Homens’’, desde cedo, meninos são ensinados a ser ‘‘rudes’’ para ‘‘provar’’ certa masculinidade e tal situação hostil ocorre, inclusive, no âmbito escolar. Então, fica evidente a relevância de mitigar essa mentalidade retrógrada que pode, até mesmo, levar o corpo feminino à depressão.
Portanto, é imprescindível atenuar a problemática do bullying na esfera educacional. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação - mecanismo difusor da harmonia escolar - criar políticas de capacitação do corpo docente no combate ao bullying, por meio de verbas federais. Dessa forma, cursos virtuais serão elaborados por profissionais competentes e a temática será sobre ferramentas para identificar e combater o bullying, a fim de instrumentalizar os professores e, paralelamente, reduzir tal violência. Ainda, é fundamental que todos os educadores do país recebam o curto gratuitamente. Ademais, cabe à União divulgar propagandas digitais sobre a importância de eliminar o machismo cultural. Feito isso, o estado de exceção proposto por Agamben não será tangível no Brasil.