O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 18/11/2021
A Constituição brasileira, promulgada em 1988, assegura o direito à segurança a todos os cidadãos. No entanto, os estudantes se mostram distantes da realidade prometida pela norma constitucional, haja vista que o bullying gera vítimas nas escolas brasileiras. Isso ocorre devido à indiligência governamental e à pouca exibição midiática a respeito do óbice.
Diante desse cenário, é notório destacar que a displicência estatal colabora com esse panorama. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6º da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, a segurança. Isso é perceptível seja pela persistência da violência física ou psicológica nas escolas, seja pelos traumas que os estudantes carregam em silêncio. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir a segurança dos estudantes no ambiente escolar.
Ademais, cabe ressaltar que a insuficiente exposição midiática também contribui para a persistência do problema. Para entender tal apontamento, é necessário citar a teoria do “Quarto Poder”, difundida pelo historiador inglês Thomas Macaulay, que destaca o papel da mídia como agente de transformação social, mediante a sua capacidade de denunciar problemas e conscientizar a sociedade. Porém, no território nacional, esse “poder” não é exercido pelos veículos de comunicação em massa, tendo em vista que, diversas vezes, negligenciam o debate acerca do bullying nas escolas brasileiras, o que faz com que os pais dos estudantes permaneçam leigos sobre o possível ambiente tóxico que o seu filho frequenta. Dessa forma, a falta de exposição e discussão da temática resulta na perpetuação do bullying.
Portanto, fica evidente que a violência nas escolas precisa ser sanada. Sendo assim, o Ministério da Educação deve incrementar o quadro profissional dos colégios municipais e estaduais, por meio de parcerias com secretarias regionais de educação. Isso pode ocorrer – por exemplo – com a contratação e capacitação de psicopedagogos e psiquiatras, a fim de que trabalhem na percepção e erradicação de casos suspeitos de bullying no ambiente escolar. Além disso, as grandes emissoras televisivas do país devem denunciar casos de violência nos colégios. Desse modo, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.