O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 14/06/2022
Segundo Piaget os valores morais são desenvolvidos a partir de interações e convivências diárias, principalmente com adultos. Portanto, o bullying pode ser caracterizado de uma má formação de ética moral e de uma revolta a desigualdade social implicada no ambiente escolar, onde há uma recompensa para aquele que recebe as maiores pontuações e um isolamento ou negligência daquele que possui dificuldades.
O bullying praticado em escolas deixa marcas profundas e duradouras em suas vítimas que tendem a sofrer mais com ansiedade, depressão, baixa autoestima, piorar no desenvolvimento educacional e tendem a durar até mesmo na fase adulta. Entretanto, por mais que o bullying seja caracterizado por uma constância e a tendência seja a culpar somente o agressor, vale lembrar que, durante esse período de vida, ambas crianças e adolescentes estão em fase de desenvolvimento moral e ético e, às vezes, não tem consciência do dano causado na vítima, além da convivência em possíveis ambientes violentos que normalizam o uso da violência na resolução de problemas gerais.
Outro ponto importante é o papel fundamental das instituições de ensino como parte dos formadores éticos. Um ambiente de competição e premiação faz com que aqueles que possuam problemas de concentração, atenção ou dificuldades gerais, sejam físicas ou mentais, não consigam se destacar na escola e se passem a ser negligenciados ou excluídos por colegas de classe e professores. Essa desigualdade forma um sentimento de revolta no excluído que, por não saber lidar com sua raiva, desconta ela em forma de bullying com colegas. Pois assim como diz Pierre Bourdieu “a escola é legitimadora da desigualdade social”.
Portanto, para resolver a questão de bullying é prioritário um papel de empatia da família e da escola para todas as crianças, buscando não ignorar e negligenciar suas necessidades, como dificuldades de atenção e conhecimento, e emoções. Por isso, por meio do Ministério da Educação, a implantação de aulas de inteligência emocional, que buscam lidar com os problemas emocionais de maneira madura entendendo a mentalidade de uma criança, e campanhas de palestras ou distribuição de cartilhas em parceria com sociólogos e psicólogos para os pais ao modo que passem a compreender melhor seus filhos e não agravem a situação mental da criança, que sofre, que pratica ou que presencie o bullying, fazendo os responsáveis entenderem a necessidade de ouvir e notar as diferenças no comportamento, como constante choro e quietação, buscando se isolar.