O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 17/08/2022
Segundo Sartre, o homem é capaz de escolher as suas próprias ações, pois é li-vre e responsável. No entanto, tal responsabilidade não se faz presente na realida-de no que tange à prática de bullying no Brasil, que é endossada por condutas ir-responsáveis quanto ao próximo, como agressões físicas e verbais, e é fator de do-enças mentais nas vítimas. Nesse contexto, para combater esse complexo proble-ma, é preciso analisar as suas causas: a invisibilização do tema e a discriminação.
Sob esse viés analítico, em primeiro plano, o silenciamento impacta na questão. De acordo com essa perspectiva, Lilia Schwarcz defende que o Brasil possui prática na política de eufemismos, ou seja, determinados problemas tendem a ser suaviza-dos. Com efeito, tal suavização está presente no panorama do bullying no país, u-ma vez que há ausência de debates e fóruns de discussão em escolas, por exem-plo, sobre as consequências das diferentes formas de opressão e as ações para combatê-las. Dessa forma, sem políticas públicas de conscientização do corpo civil, a população é impedida de agir de modo combativo diante desse triste quadro. As-sim, urge mitigar tal postura negligente do Governo.
Além disso, é coerente apontar a intolerância como um fator do problema. Se-guindo essa lógica, Grada Kilomba pontua que certos corpos e determinadas iden-tidades são discriminados. De fato, é notória tal discriminação na problemática da perseguição e do discurso de ódio enfretados por parte dos brasileiros, visto que diversos desses abusos são forjados pela mentalidade social discriminatória contra o diferente, por meio de apelidos maldosos e intimidações . Desse modo, a diver-sidade é, preocupantemente, atacada por arquétipos de inferiorização que exclu-em a singularidade dos indivíduos. Destarte, é preciso mitigar o ódio pelo diverso.
Portanto, urge intervir nesse problema. Para tal, o MInistério da Educação deve fomentar campanhas publicitárias na TV e “workshops” a respeito de ações efetivas de combate ao bullying, bem como sobre os prejuízos acarretados à saúde mental das vítimas. Essa iniciativa ocorrerá por meio de uma Lei de Diretrizes Orçamentá-rias que destine verbas para o projeto, a fim de mitigar o silenciamento que impera na questão. Ademais, tal ação pode contar com divulgação nas redes sociais. Dessa maneira, a responsabilidade sartriana poderá ser vista na realidade.