O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 05/11/2022

Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história da nação: a Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país, cujo conteúdo garante o direito à dignidade. Contudo, a perpetuação da cultura do “bullying” nas escolas brasileiras evidencia que parcela da população não goza desse benefício constitucional. Com efeito, a desconstrução da crueldade humana, bem como o combate à omissão do Estado, são iniciativas capazes de fazer com que o problema seja tratado com a devida importância.

De início, a naturalização da hostilidade dá lugar à cultura do “bullying”. Sob essa perspectiva, Hannah Arendt – expoente filósofa alemã – desenvolveu o conceito de banalidade do mal, o qual explica a prática enraizada e inconsciente de atitudes hostis. Dessa forma, os estudantes sofrem as consequências desse ato, ao passo em que o comportamento é estrutural nas instituições de ensino. Dessa forma, a persistência da opressão em ambiente escolar representa grave retrocesso e causa um dos maiores obstáculos para o Brasil: as violências.

Outrossim, Jean Jacques Rousseau – filósofo contratualista – defendia a tese de que a natureza humana é pura, mas se corrompe em contato com a maldade, tornando o convívio social caótico. Nesse sentido, entende-se que o Estado, como parte da sociedade, negligencia as ocorrências de “bullying” na medida em que se mostra omisso em relação aos casos de violência nas escolas. A consolidação desse panorama, portanto, relaciona-se à banalização explicada por Arendt, pois o Governo entende como corriqueiras as práticas. Por conseguinte, é inadmissível que, mesmo sendo uma nação pós-moderna, esse cenário ainda seja realidade no país.

Destarte, conclui-se que a problemática precisa ser mitigada. Nesse viés, é dever do Ministério da Educação (MEC), aliado às Escolas, desconstruir a cultura de violência em ambiente escolar, por meio da divulgação de propagandas midiáticas, televisivas e de radiodifusão para conscientizar os responsáveis e os jovens acerca do “bullying” e seus efeitos. Essa iniciativa poderia se chamar “Paz nas Escolas” e teria a finalidade de promover um ambiente escolar saudável. Logo, a realidade prevista na Carta Magna deixará de ser, em breve, uma utopia no Brasil.