O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 27/10/2023

No seriado americano Todo mundo odeia o Chris, é contata a história de um adolescente como o único negro da sua escola. Nesse programa, um dos aspectos mais enfatizados é o bullying sofrido pelo protagonista, Chris, cometido por diversos alunos por causa da sua cor. Fora das telas, essa violência persiste como um grave problema na sociedade brasileira, o qual enfrenta desafios para o seu combate: não só a perpetuação de antigos pensamentos, mas também, a omissão do Estado frente à problemática.

Em primeira análise, convém pontuar que preceitos antigos de discriminação favorecem a continuidade do bullying. Sob esse viés, o sociólogo francês Emily Durkheim criou o conceito de fato social - maneira de agir e pensar de um indivíduo influênciado e aceito pelo corpo social. Nesse sentido, a manutenção de pensamentos contrários à noção de diversidade étnica e racial presente no páis vão de encontro com a ideia de Durkheim, na medida em que a ausência de conscientização efetiva nas escolas sobre a valorização das diferenças sociais corroboram a manuteção desse mecanismo de violência contra alunos que apresentam alguma diferença, como estilo do cabelo ou tom de pele.

Ademais, a ineficiência estatal favorece a perpetuação dessa problemática. Sob essa perspectiva, o filósofo inglês John Locke apresentou o Contrato Social - mecanismo no qual a população entrega ao Estado a responsabilidade de gerenciamento das necessidades sociais. Desse modo, a falta de incentivo à capacitação de professores e coordenadores nas escolas, com o intuito de previnir e desestimular atos de violência, ilustram o não cumprimento do corpo estatal proposto por Locke. Assim, enquanto a omissão do Estado se mantiver, o Brasil preservará o mecanismo que mais tem afetado a vida dos estudantes: o Bullying.

Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Educação - órgão responsável pelo ensino - em parceria com as escolas, trabalhem a efetividade dos professores e diretores contra o Bullying, através de cursos de capacitação contra atos de violência, estímulo à adoção de uma postura mais incisiva na vida do ambiente escolar e técnicas de conscientização da valorização das diferenças, com o intuito de suprimir as raízes que amparam a perpetuação dessa problemática no país.