O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 28/10/2023

Na série norte-americana “Todo mundo odeia o Chris”, retrata-se o cotidiano do protagonista Chris, um adolescente que enfrenta diariamente o bullying e o racismo em seu âmbito escolar. Assim como na ficção, é nítido os óbices da sociedade brasileira no combate ao bullying. Logo, é uma realidade o silenciamento social quanto a violência estudantil e a omissão governamental.

Diante desse cenário, é evidente a indiferença das instituições escolares brasileiras com a hostilidade. Nessa perspectiva, Jean-Paul Sartre, afirma que existe um conceito chamado “Acomodação social”, segundo o qual há alguns temas que são banidos da discussão coletiva. De maneira análoga ao pensamento de Sartre, a discussão acerca do bullying, embora seja relevante para o desenvolvimento do corpo social, não recebe a devida importância. Tal negligência prejudica o socioemocional de estudantes e professores, tendo em vista que há a falta de discussões sobre o assunto no próprio meio estudantil e familiar. Dessa forma, enquanto o silenciamento for a regra, a violência escolar permanecerá no Brasil.

Ademais, é válido ressaltar que a figura estatal motiva indiretamente a prática do bullying. Nesse viés, de acordo com Norberto Bobbio, afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios das leis, mas também garantir que a população usufrua deles. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, o Estado não apenas precisa criar políticas públicas que assegurem a proteção escolar, mas também garantir que a comunidade vivencie o benefício. Essa ausência de iniciativa estatal é presente pela carência da fiscalização policial em escolas. Desse modo, nota-se que esse fator promove uma grave ruptura no contexto brasileiro.

Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse o quadro atual, visto que o bullying ainda é um empecilho na sociedade brasileira. Urge, portanto, que o Ministério da Educação -órgão responsável pelas instituições acadêmicas no Brasil- faça a implementação de psicólogos no âmbito estudantil e agentes de fiscalização, por meio de verbas estaduais voltadas para a educação e segurança, para que os malefícios da prática do bullying sejam erradicados da escolaridade. Pois, somente assim, o contexto de “Todo mundo odeia o Chris” não será a realidade da conjuntura educacional brasileira.