O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 17/04/2024

Na mitologia grega, o mito de Sísifo refere-se a um indivíduo que, como castigo divino, é submetido a carregar uma pedra até o alto de um monte, logo depois a descarregando e repetindo todo o processo novamente. De maneira análoga à narrativa, o combate ao bullying no Brasil ainda enfrenta há anos escassez de soluções, bem como negligências das quais pouco se são comentadas. Diante disso, faz-se necessário extinguir a negligência do Estado e o imobilismo social.

Em primeiro plano, a omissão estatal impede que a problemática seja reduzida inteiramente. Sob esse viés, em sua obra “O príncipe”, Nicolau Maquiavel -Filósofo italiano- denuncia que o Estado apenas age em situações das quais vão de acordo com seus interesses. Diante desse cenário, o enfrentamento ao bullying não é algo relevante para tal, haja vista a ausência de profissionais especializados -como psicólogos-, em escolas, sobretudo públicas, das quais orientaram os alunos a lidarem por essa situação mais acolhidos. A realidade, todavia, é que pouco ou nada se fala sobre esse assunto, deixando dúvidas do que se deve fazer ou a quem deve-se recorrer em casos de intimidações.

Outrossim, o imobilismo social persiste na luta contra o bullyling. Nesse sentido, a filósofa Hanna Arendt desenvolveu o conceito de banalidade do mal, onde afirma que a perversidade tornou-se uma coisa comum a ser praticada. Acerca disso, percebe-se que estas agressões transformaram-se em algo trivial, tendo em vista as escolas, estas que, muitas vezes nada faz a respeito das provocações e, consequentemente,comprometer nenhum tipo de punições aos agressores, intensificando as tais práticas. Dessa forma, o silenciamento compromete estes jovens, os deixando reclusos tão como menos vistos.

Portanto, o bullying na conjuntura brasileira é algo grave que precisa ser solucionado. Para isso, o Estado junto ao Poder Legislativo deve executar leis onde profissionais de saúde mental sejam obrigatórios em todas as escolas, a fim de que os alunos tenham a quem recorrer nesses casos e procurem ajuda especializada. Além disso, as escolas, por intermédio de projetos pedagógicos e midiáticos precisam conscientizar os jovens, com a finalidade de alertá-los e ensiná-los a agir corretamente contra essa problemática. Só assim, o mito de Sísifo terá um fim.