O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 04/07/2024

O livro “Cidadão de papel”, de Gilberto Dimestein, trata da violação de diversos direitos garantidos constitucionalmente. Analogamente, a crítica do autor pode ser verificada na presença do bullying no Brasil, uma vez que a perpetuação desse fator exclui parte da sociedade e torna seus direitos vilipendiados. Nesse sentido, cabe analisar o silenciamento e a insuficiência legislativa enquanto pilares do problema.

Diante desse cenário, é notório que a falta de debate é um fator determinante para a persistência do problema. A série “13 reasons why” apresenta a personagem Hanna Baker, a qual sofreu forte discriminação na escola em que estudava e não obteve ajuda das autoridades escolares, o que fez a jovem retirar a própria vida. Para além das telas, pode-se observar que o mesmo ocorre no Brasil, haja vista que pouco se fala sobre o bullying nas redes sociais e em ambientes escolares, fator que potencializa a ocorrência de pensamentos suicidas, análogo à jovem supracitada. Assim, é urgente tirar o tema do silêncio.

Ademais, é evidente que a ineficácia legislativa influi fortemente na consolidação da problemática. De acordo com o artigo 5° da Constituição Federal, todos os seres humanos possuem os mesmos direitos acerca do exercício da cidadania. Contudo, a existência das situações de bullying demonstra a falta de efetivação das leis impostas, uma vez que a BBC News afirma que 30% dos agressores saem impunes. Isso torna possível o aumento do número de vítimas, logo, o agravamento do quadro existente. Desse modo, a base legal deve ser fortalecida para que o impasse seja resolvido.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção pontual. Para isso, é preciso que o Ministério do Cidadão, por meio de uma campanha nacional, promova a divulgação de vídeos informativos sobre a realidade do bullying e das formas de combatê-lo, com a finalidade de reverter o silenciamento presente no tema e diminuir o número de pessoas excluídas por causa desse problema. Tal ação deve ser transmitida na televisão aberta e nas redes sociais do governo. Paralelamente, urge intervir sobre a insuficiência legislativa. Dessa forma, a cidadania poderá sair do papel e se tornar realidade.