O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 09/09/2026

A animação “Rio” conta a história de uma arara-azul vítima de tráfico de aves exóticas do território brasileiro. Tal narrativa se assemelha à realidade, uma vez que o comércio ilegal de animais silvestres é um problema caro ao Brasil devido à fiscalização estatal precária e apoio inconsciente da população, fatores que dificultam o combate à essa prática.

Diante desse cenário, evidencia-se que a fiscalização ineficiente sobre a compra, venda e captura de animais em território nacional pelo Estado propicia esse ato criminoso. Sendo assim, embora haja leis para tais ações, não há garantia de que estas sejam cumpridas, ocasionando, então, oportunidades de intensificação do comércio ilegal. Como proposto pelo cientista social Charles Tilly, governos que falham em garantir serviços essenciais – como os de proteção e preservação biológica – enfraquecem seu poder, e permitem que mais injustiças sejam cometidas. Assim, a cada ato comercial não averiguado, o governo perde o controle desses delitos e, por consequência, mais animais são retirados do meio silvestre.

Ademais, a compra dessas espécies sem meios legais assegurados corrobora para o problema, uma vez que o comprador, sem acesso à informação sobre este crime, apoia o comerciante a continuar sua prática. O pesquisador James Wilson, por exemplo, afirma, em sua “Teoria das janelas quebradas”, que, quando pequenos delitos são ignorados, estes incentivam crimes mais graves a passarem impunes. Nesse caso, quando a compra desses animais é ilegal, o comprador induz a perpetuação de tal prática criminosa, o que leva à intensificação da captura e venda de espécies silvestres principalmente onde há menor fiscalização.

Portanto, para combater o comércio ilegal de animais silvestres, o Ministério do Meio Ambiente deve criar uma base de dados atualizados sobre o contrabando de animais por meio de mapeamento de áreas ocupadas por essas espécies e de zonas de comércio ilegal. Nesse sentido, a proposta visa solidificar a fiscalização dessa prática até sua eliminação. Além disso, a ação ainda pode se valer de parcerias com agências de pesquisa e preservação biológica para traçar estratégias de aplicação da base de dados e divulgação científica à população para informá-la. Desse modo, o filme “Rio” será resquício de um problema então resolvido.