O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 13/10/2026

O filme de animação “Rio” retrata a trajetória de uma arara azul que foi raptada para ser comercializada ilegalmente, evidenciando a vulnerabilidade que os animais silvestres estão submetidos. Paralelamente, o combate ao comércio ilegal de animais silvestres existe no Brasil e traz consigo diversos desafios a serem superados - tal qual a captura desses seres para a exposição em zoológicos clandestinos - por exemplo. Dessa forma, essa problemática ocorre por conta da negligência estatal e da visão utilitarista da natureza.

Nesse sentido, o enfrentamento à compra e venda não legalizada de animais selvagens acontece devido à omissão governamental, uma vez que o Estado é responsável pela manutenção e proteção do meio ambiente, incluindo os seres vivos que o compõe. Sob essa ótica, o artigo 255 da Constituição determina que o Poder Público deve proteger a fauna e a flora, vedando práticas que submetem os animais à crueldade. Entretanto, o descaso apresentado não condiz com a Carta Magna, tendo em vista que a falta de políticas públicas ocasiona dificuldades ao âmbito da proteção dos animais, assim como a fiscalização ineficaz das fronteiras do país, que possibilita o tráfico ilegal de animais de maneira internacional. De tal maneira, torna-se mais suscetível a ocorrência dessa prática ilícita e distancia-se a perspectiva de melhora em um futuro próximo.

Além disso, a visão restrita da natureza como uma ferramenta para a humanidade também é um fator importante em relação ao tema, pois promove a ideia de que os seres humanos detém o direito de explorar os animais da maneira que os convém. À luz dessa perspectiva, o ambientalista Ailton Krenak critica a visão que coloca o ser humano como separado e superior à natureza e condena a expropriação criminosa de animais dos seus próprios territórios. Todavia, esse não parece ser o modo de pensar vigente na sociedade atual - a exemplo da glamourização de roupas e acessórios de origem animal - que promove um estímulo ao comércio animal não legalizado na medida em que aumenta a demanda para a produção dessas mercadorias, não importando para parte dos consumidores se foram produzidas de modo legal ou não. Desse modo, promove-se a manutenção do mosaico de exploração criminosa observado