O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 18/09/2019
Vida e integridade
Desde a chegada dos portugueses no Brasil,em 1500,foi percebida a diversidade da fauna e flora presentes no país. Entretanto, somente após o envio da Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, com as suas percepções da exuberância presente no “novo território”, é que iniciou-se o contrabando de papagaios e de peles de onças para a Europa. Atualmente, porém, esse tráfico se articula pautado na falta de perspectiva de vida de boa parte da população e no lucro de outras atividades ilícitas, como comércio ilegal de armas. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.
Sobre esse viés, consolida-se a ideia do diretor do Greenpeace Paul Watson sobre a inteligência das espécies ser a habilidade de viver em harmonia com o meio ambiente, visto que o contrabando de animais que estão em risco de extinção - com a finalidade de venda em pets shops e para a biopirataria - ocasiona a destruição constante da biodiversidade do país. No entanto, a prática existe, porque há a demanda do mercado e a escassez de perspectiva de vida dos traficantes, que vêem apenas essa forma de ascenderem socialmente.Isso é reflexo de uma população inconsciente com relação a compra e venda ilegais de animais e, além disso, que sofre com a concentração de renda esquematizada pelo Estado.
Convém ressaltar, também, a ideia de Fronçoise Héritier, no que cerne ao mal começar com indiferença e resignação, baseado na conjuntura de que o IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) possui fiscais em grandes quantidades, mas, estes, ao receberem suborno de contrabandistas, acabam por ceder e inviabilizar a garantia da Lei nº3179 de perseguição e maus tratos aos animais,que prevê multas e prisões.Além disso, assim como no livro “S.O.S Tartarugas Marinhas”, muitas vezes, após a apreensão, triagem e reabilitação, a soltura dos bichos é feita sem respaldo de pessoas habilitadas para a prática. Esse cenário contribui para a redução da chance de sobrevivência desses seres vivos e para a degradação ambiental.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e Sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto, ao Ministério do Meio Ambiente a criação de campanhas nas redes sociais sobre a importância de pesquisar a origem dos animais que serão comprados, a fim de que possíveis irregularidades sejam denunciadas; e ao IBAMA a criação, por meio de legislações internas, de cursos específicos de liberação dos animais à natureza; e de concursos para supervisores de fiscais,com isso,casos de suborno serão evitados,e a sobrevivência dos ecossistemas do Brasil garantida.