O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 03/10/2019
Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada indivíduo possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca o combate ao comércio ilegal de animais silvestres, nota-se a influência de atores sociais sobre a influenciação das peculiaridades e da construção da problemática. Torna-se pontual, nesse contexto, não apenas questionar como a fiscalização desse comércio ainda se mostra ineficaz, mas também analisar seus impactos no organismo social.
Em primeira observação, cabe compreender como o aparato estatal vem tomando atitudes de combate ainda ineficazes à problemática. Evidencia-se, assim, a ideia de Bourdieu, pois, a medida que o combate é ineficaz, cria-se um estímulo a essa prática ilegal, caracterizando a influência estatal sobre as individualidades. Vale acrescentar que, embora seja notável a dificuldade de fiscalização do vasto território florestal brasileiro, esse fator não deve ser visto como um inibidor do combate ao comércio de animais silvestres, mas sim como um estimulador de outras alternativas, visto que na atualidade, mostra-se incoerente a persistência dessa prática. Logo, enxerga-se como necessário a mobilização governamental no âmbito de fiscalizar e punir tais ocorrências, inibindo-as e favorecendo a preservação ambiental nacional.
Paralelamente à questão institucional, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate a problemática. Nessa perspectiva, constata-se o viés de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para associarem seu desenvolvimento social e cultural à preservação biológica, configurando-se cegas pela analogia do sociólogo, pois, na medida em que ocorre essa associação, o sentido de pertencimento nacional se vê fortalecido pela preservação e pela valorização de espécies nacionais, como a arara, o lobo-guará, e o mico-leão-dourado. Isso evidencia a necessidade que urge na reestipulação de valores na sociedade, fortalecendo os laços sociais ali presentes.
Entende-se, diante do exposto, a necessidade de implantação de medidas para conter o quadro atual. A princípio, é fundamental que a Polícia Federal aumente o rigor na fiscalização do comércio ilegal pela criação de órgãos específicos que desenvolvam novas táticas adaptadas ao vasto território, como o patrulhamento de regiões portuárias e rodoviárias, áreas de escoamento nessa prática, inibindo-a. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a criação de uma nova diretriz educacional que desde a primeira infância estimule a preservação da fauna brasileira, por meio de teatros lúdicos e de dinâmicas, criando um corpo social mais ciente e de participação mais ativa nas reivindicações desse assunto. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.