O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 21/08/2020

No filme “Rio”, a arara Blu é capturada por contrabandistas logo no seu nascimento e, por ter crescido desvinculada de seu habitat natural e domesticada nos Estados Unidos, acredita ser a última ave da sua espécie. De maneira análoga à animação, o comércio ilegal de animais silvestres é uma ameaça à extinção de várias espécies únicas da fauna brasileira. Nesse sentido, faz-se imprescindível a análise do aumento da lucratividade desse “negócio” e da objetificação dos animais pelo homem, como combustíveis que nutrem essa problemática e impedem o combate a esse crime.

Sob esse viés, é válido destacar o aumento do tráfico de animais nas florestas brasileiras como um reflexo da procura e da lucratividade proporcionados por esse atentado. Acerca disso, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais – IBAMA, mais de 38 mil espécies foram deslocadas de seu habitat natural para serem comercializadas, sendo essa a terceira atividade ilegal mais rentável do mundo. Dessa maneira, devido ao seu potencial lucrativo esse negócio tem sido perdurado e infelizmente, provoca grandes impactos ao ecossistema. Ademais, sabe-se que, de acordo com a ética dos termos Constitucionais vigentes, pertence ao Estado e à coletividade a responsabilidade de preservar o meio ambiente, isso inclui a fauna brasileira. Desse modo, percebe-se o não cumprimento dos deveres por parte não só do Governo, mas também do cidadão, uma vez que há uma ascendência do tráfico de animais silvestres na sociedade brasileira.

Além disso, cabe salientar que essa comercialização coisifica o animal. Mediante isso, segundo a médica veterinária Carla Moleno, os animais são seres sencientes, visto que apresentam estruturas nervosas semelhantes às dos humanos que permitem a liberação de algumas substâncias hormonais diante da sensação de medo, alegria e, até mesmo, saudade. Dessa forma, é incongruente - diante de tais informações científicas - a sociedade tratar os animais como mercadorias e submetê-los a condições degradantes potencializadas, sobretudo, pela remoção desses do seu habitat natural.

Depreende-se, portanto, a necessidade de alternativas para combater o tráfico de animais selvagens no Brasil. Para tanto, urge que as ONG’s ambientais em associação à comunidade científica promovam, por meio das redes sociais, a disseminação de informações sobre a dimensão desse crime, como os dados quantitativos supracitados, e também o esclarecimento com base científica de que os animais são seres senciência, a fim de mobilizar o corpo social à repudiarem esse crime e forjar no cidadão a consciência de que esses viventes não são objetos passíveis à mercantilização. Assim, será possível transformar a realidade dos diversos Blus que sofrem devido ao comércio ilegal de animais selvagens.