O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 16/07/2020
A animação “Rio”, lançada em 2011, retrata a história de uma arara azul capturada, ilegalmente, por contrabandistas de pássaros. Dessa maneira, a ave é retirada da floresta e levada para os Estados Unidos, onde é domesticada por uma mulher. Com isso, o filme denuncia a exploração animal e a falta de ações públicas para a proteção de espécies nativas. Fora do desenho animado, é fato que o Brasil ainda conta com um grande comércio ilegal de animais silvestres que, infelizmente, causa a diminuição da biodiversidade da fauna e, além disso, aumenta a disseminação de zoonoses – doenças transmitidas dos animais para os seres humanos –.
Em primeiro lugar, é válido lembrar que o Brasil tem umas das maiores faunas do mundo que, lamentavelmente, está sendo ameaçada pelo tráfico de aves e mamíferos. Sob essa ótica, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), o contrabando de animais tira, anualmente, 38 milhões de exemplares das matas, sendo as espécies em extinção as mais procuradas. Nessa lógica, o comércio desses seres vivos evidencia o desaparecimento de parte da fauna nacional, prejudicando, assim, o equilíbrio ecológico do ambiente, uma vez que as relações biológicas são interdependentes, ou seja, um ser depende do outro para manter uma harmonia.
Por conseguinte, é importante destacar que a aproximação dos humanos com animais silvestres pode agravar o surgimento de novas doenças infecciosas. Nesse viés, segundo a Profauna – organização que busca combater o comércio da fauna –, o contrabando de seres vivos está diretamente relacionado com a disseminação de zoonoses. Isso porque, de acordo com a ONG, moléstias como a leptospirose e a raiva são comuns em mamíferos. Dessa forma, os mercados de seres vivos, que contam com más condições de higiene e cuidado, favorecem a proliferação de vírus e vermes, já que, ao facilitar o contato direto entre animal e ser humano, as condições para reprodução desses protozoários tornam-se mais favoráveis.
Portanto, fica claro que medidas precisam ser tomadas para que exista um combate eficaz ao comércio ilegal de animais silvestres. Para isso, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente crie um projeto de implantação de microchips em animais em extinção, por meio da utilização das verbas destinadas para preservação da fauna e, além disso, contrate biólogos e veterinários para que exista o monitoramento desses seres. Ademais, o Ministério da Saúde deve investigar o surgimento de sustos de zoonoses, por meio da divulgação de dados das secretarias municipais da saúde, que deverão ser usados para alertar órgãos de vigilância sanitária, com o objetivo de achar possíveis mercados de animais. Somente assim, o tráfico da fauna brasileira deixará de ser uma realidade no país.