O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 17/07/2020

Ao afirmar, “se queres prever o futuro, basta estudar o passado”, o filósofo chinês Confúcio fez, de certa maneira, uma comparação entre o passado e o futuro. De fato, ele estava certo, pois o tráfico de animais silvestres não é um problema atual. Prova disso é que, desde o surgimento da escrita, existem relatos da existência de tais práticas. Assim como, hodiernamente, as adversidades ainda persistem no Brasil, seja pela inexistência de um sistema de fiscalização efetiva, seja pela falta de educação adequada, que gera cidadãos complacentes que corroboram com as ditas ações. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes pelas autoridades competentes para aprimorar o combate ao comércio ilegal de animais silvestres e mitigar tal problemática social e ecológica.

Em primeira análise, vale salientar que um propulsor instantâneo da perpetuação do tráfico de animais no Brasil é a ausência de um aparato fiscal efetivo e eficiente. De acordo com uma matéria veiculada pela rede de notícias Universo Online (UOL), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, instituição essa responsável pela fiscalização ambiental, trabalha atualmente com um déficit de cerca de 30 mil homens. Logo, com base em tais dados, conclui-se que o sistema brasileiro de fiscalização e combate à venda de animais silvestres se encontra sucateado e negligenciado, tornando-o, dessa forma, totalmente ineficiente e, consequentemente, corroborando com tais atos repugnantes.

Ademais, um outro fator que, de forma indireta, contribui significativamente com as atividades contrabandistas no Brasil, que desfalcam o meio ambiente com as vendas ilegais de sua importante fauna é a falta de educação adequada, que forma cidadãos coniventes com tais ações, pois não sabem o real impacto negativo gerado no mundo. Segundo Paul Watson, cofundador e diretor do instituto Greenpeace, a educação é a habilidade humana de viver em harmonia com o meio ambiente. Evidencia-se, portanto, que uma nação como o Brasil, com um sistema de ensino flagelado, apresentará, indubitavelmente, um amplo comércio ilegal de sua fauna natural e de outras também, pois, assim como sugeriu Paul, a educação precede qualquer evolução no meio social.

Portanto, em detrimento dos fatos supracitados, urge que medidas sejam adotadas para que tal quadro social e ambiental possa ser mitigado. Com isso, o Governo Federal, através do Ministério da Educação, deve realizar uma macro reforma no quadro de ensino nacional, adotando a ele a obrigação de palestras e seminários, ministrados por especialistas, que buscam mostrar as causas e as consequências do comércio ilegal de animais, com o intuito de conscientizar a sociedade. Outrossim, deve-se, por meio da abertura de novos editais de concursos, aumentar o efetivo de agentes do IBAMA, para aprimorar, intensificar e otimizar o sistema de fiscalização ambiental brasileiro.