O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 20/07/2020

No decorrer do ano de 2020 o caso de um estudante que foi picado por uma cobra Naja causou grande repercussão país, isso porque essa espécie não é natural do Brasil e a sua entrada no país é proibida. Esse fato não apenas denunciou um esquema de tráfico de serpentes como também trouxe essa temática para debate. Nesse sentido, é importante analisar a realidade do tráfico de animais silvestres no Brasil, bem como o que acontece com esses animais após serem apreendidos pelos órgãos competentes.

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o comércio ilegal de animais silvestres no Brasil ocorre principalmente para abastecer o mercado de animais domésticos. Assim sendo, existem dois grandes problemas que permeiam essa problemática: o impacto ambiental da retirada desses animais do ecossistema e a falta de instrução sobre os cuidados que essas espécies necessitam. A primeira diz respeito ao fato que a maioria dos animais traficados são retirados de seu ambiente natural, desse modo, ocorre a perda de eventuais reprodutores no meio, podendo levar à extinção de uma espécie. Já a segunda refere-se a falta de conhecimento sobre as condições adequadas de alimentação, hidratação e temperatura que o animal precisa, podendo ocasionar graves riscos em sua saúde. Nesse aspecto, há também a ocorrência de zoonoses, visto que a maioria desses animais são reservatórios de vários agentes etiológicos desconhecidos que por ventura podem transmitir doenças para os seres humanos.

Por outro lado, a falta de estrutura das organizações responsáveis por coibir esse ato, muitas vezes, faz com que as espécies apreendidas fiquem em condições mais precárias do que quando estavam no cativeiro. Nesse sentido, além dos fatores econômicos, há também a dificuldade na reabilitação do animal em seu ecossistema natural, pois caracteriza-se como um grande risco tanto para o reabilitado quanto para as populações locais. Sendo assim, muitos pesquisadores defendem que, caso a espécie em questão não esteja ameaçada de extinção, o animal deve ser submetido à eutanásia.

Em síntese, tanto a compra ilegal de animais quanto o resgate desses por órgão competentes ocasionam, por fim, o sofrimento animal. Nessa perspectiva, é necessário que as escolas promovam,

por meio de aulas e palestras, instrução sobre a fauna brasileira e a importância de sua preservação, desde a educação infantil até o ensino médio, afim de que, o conhecimento fomente o interesse na preservação dos ecossistemas e, por sua vez, ocasione a progressiva diminuição do comércio ilegal de animais silvestres.