O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 20/07/2020
No Brasil estima-se que cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados de seus habitats naturais para comercialização ilegal. Esse tráfico é fomentado, entre outros motivos, por interesses comerciais em produtos da fauna, como penas e couro, e por colecionadores instigados pelo deslumbramento da raridade de determinadas espécies. As consequências disso vão além do que os olhos alcançam.
Desse modo, aves estão entre os mais ameaçados devido principalmente à docilidade, ao canto e à beleza, este com alto valor comercial dado a plumagem, empregado em artigos de moda. No ecossistema existe uma interdependência entre os seres da fauna, a ausência de uma espécie ou redução de sua população pode levar, por exemplo, a extinção de seus predadores e ao aumento descontrolado de suas presas. Portanto, fica evidente que os problemas não são apenas a ilegalidade, há prejuízo a sobrevivência e a vida selvagem nativa, torna-se um efeito dominó.
Somado a isso, outro fator agravante é a comercialização internacional de espécies raras como aranhas e cobras, quanto mais singular for o animal maior é o interesse e o valor empregado. Casos de soltura de espécies exóticas, ou seja, originárias de outro bioma, exprimem potencial delas se tornarem pragas em razão, por exemplo, da ausência de predadores, da competição por recursos, e ainda por apresentarem-se como reservatórios de doenças. Assim, o desfecho se torna ainda pior, pois ameaçam a biogeocenose, trazem prejuízos à biodiversidade, à saúde humana e à economia.
Nesse sentido, para coadjuvar o combate ao ciclo do tráfico de animais silvestres, salvaguardando-os dessa crueldade, o Ministério do Meio Ambiente deve financiar, com recursos do FNMA (Fundo Nacional do Meio Ambiente), pesquisas em universidades públicas que tragam aprofundamento no conhecimento das espécies para apuração da origem exata dos animais, e assim rastrear e combater precisamente as rotas de tráfico via terrestre.