O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 21/07/2020
No livro “Na Natureza Selvagem”, é contada a história real do jovem estadunidense Chris Mccandless, que decide abandonar sua confortável vida suburbana para sobreviver em meio às florestas do Alasca. Segundo ele, o objetivo era distanciar-se da sociedade de consumo e estar em contato com o que realmente lhe importava: o mundo natural. O senso comum, no entanto, distancia-se das ideias de Chris, como evidenciado pelas constantes ações humanas que promovem a capitalização e consequente destruição da natureza, entre elas o tráfico de animais silvestres. O comércio ilegal de espécimes da fauna só é sustentado porque há procura, sendo esta causada pela falta de contato entre o ser humano moderno e o meio ambiente.
Em primeiro lugar, é evidente que, como qualquer outro mercado, a comercialização de animais só existe porque ainda há pessoas interessadas em comprá-los. A Lei da Oferta e da Procura, postulada pelo economista Adam Smith nos primórdios do sistema capitalista, continua regendo a lógica de consumo até a atualidade. Ou seja, em um sistema voltado para o capital, não importa a ética envolvida nas trocas, desde que estas estejam gerando lucro. Sendo a venda de fauna silvestre ilegal segundo o Código Civil Brasileiro, ela continua existindo dentro do mercado negro, visto que o Estado brasileiro mostrou-se incapaz de fiscalizar e punir os envolvidos, além de que o problema tem raízes mais profundas.
Para tanto, destaca-se a falta de contato entre o habitante de centros urbanos com a natureza, como uma das causas do problema. Desde o início da Revolução Industrial, as cidades tem tomado proporções gigantescas, e o mundo tem hoje menos de 50% de sua população vivendo em áreas rurais. Como consequência, o ser humano se vê cada vez mais distante do mundo natural, e este se torna um luxo para poucos, sendo fomentada assim a busca irresponsável por animais silvestres, estes considerados uma forma de escape da vida urbana.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para resolver o problema. Cabe ao Ministério de Educação e Cultura (MEC), por meio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular, estabelecer a obrigatoriedade de atividades que visem o contato do aluno com a natureza, como passeios guiados a reservas florestais, parques e similares. Assim, o cidadão brasileiro poderá desenvolver desde a infância uma consciência ambiental mais próxima daquela apresentada por Chris Mccandless, que o tornará menos propício a normalizar o tráfico de animais, e consequentemente diminuir a procura por espécies silvestres.