O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 31/07/2020

Recentemente, no Distrito Federal, um estudante de medicina veterinária foi picado por uma naja, o episódio acabou revelando um esquema de tráfico de serpentes no Brasil. Nesse contexto, é inegável que o comércio de animais silvestres fomenta graves problemas ambientais e sanitários, portanto, deve ser combatido pelo Estado e repreendido pela sociedade. Ademais, dois fatores são inerentes à discussão : o desequilíbrio ecológico e o risco de surto de zoonoses.

Em primeiro plano, o desiquilíbrio ecológico fomentado pelo comércio ilegal de animais silvestres deve-se ao potencial de extinção de espécies endêmicas e a deflagração de pragas biológicas. Isso porque, com base nos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente ( IBAMA ), 38 milhões de animais silvestres são retirados da fauna brasileira anualmente, especialmente espécies em risco de extinção. Além disso, muitos desses animais acabam sendo descartados, pelos seus compradores, em um ambiente que não corresponde a seu habitat natural. Por conseguinte, devido a ausência de predadores naturais esse animais descartados tornam-se espécies invasoras, os quais serão responsáveis pelo risco de extinção de espécies endêmicas seja devido a competição, por similaridade de nicho - hábitos e alimentação- ou pela ação predatória.                                                  .

Outrossim, ainda sob a perspectiva de desequilíbrio ecológico ,existe a questão sanitária que engloba o risco de surtos de zoonoses, associados ao tráfico de animais silvestres. Segundo a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), 60% das doenças infecciosas humanas são zoonoses, à exemplo da raiva, da leptospirose, do ebola e da malária, e ,não raro, animais silvestres são reservatórios de agentes etiológicos, como a salmonella presente nas serpentes. Dessa forma, o comércio ilegal de animas silvestres  oferece riscos à saúde humana, pois o manejo inadequado desse animais ,bem como o contato entre diferente espécies e o ser humano, pode desencadear um surto zoonótico semelhante ao que ocorreu no mercado de animais silvestres e Wuhan, na China, onde se disseminou o Sars-Cov-2,  agente etiológico da Covid-19.

Em suma, o comércio ilegal de animais silvestres é nocivo ao meio ambiente e ao homem. Dessarte, cabe ao Ministério da Educação, por meio da legislação já existente, aplicar a educação ambiental nas redes de ensino público e privada , destinada a todos os níveis educacionais, com um enfoque especial nas consequências do tráfico de animais silvestres. Assim, cria-se uma sociedade informada que atuará juntamente com o Estado no enfrentamento desse comércio ilegal, pois a principal via de combate é a denúncia, hoje precária devido a ausência de engajamento social por falta de informação.