O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 31/07/2020

Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Fora da ficção, o mito assemelha-se à luta contra o tráfico de animais silvestres. À luz disso, é vital a realização de medidas que reduzam os vários efeitos negativos dessa realidade. Nesse espectro, a transformação da fauna – um patrimônio de diversidade biológica mundial – em capital comercial e a conscientização popular sobre os riscos do aprisionamento dessas espécies, merecem um debate aprofundado na sociedade civil e nas esferas governamentais.

A priori, cabe mencionar o livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, do sociólogo Max Weber, no qual é defendido que algumas ideologias decorrentes da Reforma Protestante (1517) contribuíram para a ascensão do modelo capitalista. Sob esse prisma, a problemática está intimamente ligada a essa modificação estrutural no século XVI, já que as relações comerciais se intensificaram a partir dela. Concomitantemente, as organizações ilícitas passaram a vigorar e a dificultar a fiscalização e punição aos infratores - por conta do aprimoramento gradual desses esquemas delituosos. No Brasil, anualmente, 40 milhões de animais são traficados e passam por ambientes hostis em cativeiro.

A posteriori, conforme retrata o filme “Rio”, só há a retirada de integrantes do Reino Animalia do meio ambiente caso haja compradores interessados. Nesse sentido, por mais que a intenção dos possíveis donos seja proteger e tratar com qualidade o ser vivo adquirido, a plenitude de desenvolvimento não poderá ser garantida, uma vez que a tentativa de adestramento abrupto de uma espécie pode trazer resultados desastrosos. Dentre eles, a troca de doenças entre humanos e animais e um desequilíbrio na cadeia alimentar - decorrente da reinserção destes na natureza. Nessa conjuntura, é imprescindível fortalecer operações policiais e assegurar por lei a prisão dos caçadores. Outrossim, é importante multar os cidadãos que adquirem esses “produtos” - transformados em tal pelo capitalismo.

Logo, é mister que o Ministério do Meio Ambiente fortaleça - por meio de apoio financeiro - os centros científicos, de pesquisa e tratamento, que têm a finalidade de promover avanços e descobertas. Dessa forma, possibilitar-se-á a recuperação de mais animais apreendidos do comércio ilegal pela polícia. Além disso, cabe ao MEC ampliar a discussão sobre o tema, através da realização de palestras nos centros culturais – com o fito de explicar às pessoas a necessidade de saber diferenciar a fauna domesticável da selvagem. Os recursos econômicos para promover tais eventos podem ser obtidos mediante o montante arrecadado das multas, o que cria um ciclo que, gradativamente, mitigará o problema. Assim, concluir-se-á que é uma total injustiça a utilização estereotipada de um abutre - um animal silvestre - como vilão,  pois ele que seria explorado racionalmente, e não o contrário.