O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 23/07/2020

A animação cinematográfica “Rio” relata a história de Blu, uma arara que fora capturada e traficada de seu habitat natural no Brasil e é enviada para os Estados Unidos, onde é vendida e domesticada. Após uma consulta com um especialista, Blu é classificado como o último macho de sua espécie e é levado para o Rio de Janeiro para acasalar com Jade, a última fêmea viva, a fim de evitar a extinção da espécie. No entanto, Jade vivia livre na natureza e recusa-se a ser engaiolada, ato que gera grandes questionamentos a Blu, que passa a repensar sobre sua origem. Concomitante a isso, torna-se crescente a preocupação com o trágico ilegal de animais e suas consequências. Nessa perspectiva, esse desafio deve ser analisado e superado de imediato.

É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais, que são caracterizadas como infrações as ações que afetam o meio ambiente e comprometem sua fauna e flora, tal como o tráfico de animais, que coloca em risco de extinção um número cada vez maior de espécies e contribui com a exploração econômica de florestas. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e esse contraste pode ser refletido no atual cenário brasileiro. Segundo dados divulgados pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) cerca de 4 milhões de animais são capturados e comercializados ilegalmente nos últimos anos.

Faz-se mister, ainda, salientar os fatores etiológicos e impulsionadores do emblema, como a falta de fiscalização e de medidas protetivas adequadas para a preservação do meio ambiente. Segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a sociedade contemporânea emerge no individualismo e na efemeridade das relações humanas, nas quais as pessoas transferem o ideal de melhoria em prol do bem comum para o de ascensão própria, atos que corroboram com a depreciação do real valor de um ambiente ecologicamente equilibrado e acaba por legitimar tais infrações.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em conjunto com entidades governamentais, deve criar órgãos fiscalizadores que supervisionem e assegurem a preservação do meio ambiente e a proteção dos animais silvestres. Ademais, o Ministério da Educação (MEC), juntamente com o setor midiático, deve promover palestras e campanhas, nos meios físico e digital, por profissionais qualificados, a fim de conscientizar e instruir a sociedade sobre a gravidade do tráfico ilegal de animais e das violações que comprometem o meio ambiente. Dessa maneira, o Brasil poderia superar essa grande mazela.