O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 26/07/2020
A animação norte-americana “Rio” apresenta o tráfico de animais silvestres que ocorre no Brasil. De maneira superficial, são expostas algumas das problemáticas que existem no tráfico de animais e a luta que há para evitar que ocorra mais vítimas dessa ação ilícita. Infelizmente, o contrabando é mais sério do que é apresentado no filme e não são todos os animais que possuem um final feliz como o protagonista, que consegue retornar ao lar e evita que sua espécie seja extinta.
A priori, o tráfico de animais silvestres causa desequilíbrio nas relações entre as espécies. Há muitos anos, naturalistas como Charles Darwin, estudam o modo que o equilíbrio entre os nichos ecológicos permitem a extinção ou a permanência de uma espécie em um meio. Por esse motivo, a retirada de espécies que já estão adaptadas em um ecossistema passa a ser complexo, uma vez que o desequilíbrio de um nicho afeta espécies que dependem, diretamente ou indiretamente, de outras espécies. É possível observar esse efeito no caso do Mico-leão-dourado, que está quase extinto por conta da caça e pelo aumento da competição com espécies que tiveram seus respectivos nichos ecológicos desequilibrados.
Além disso, os possíveis riscos sanitários que existem podem ser fatais. Ao decorrer dos séculos, foi comprovado que doenças como a leptospirose, ebola, dengue e a peste bubônica são letais e possuem como agente transmissor em comum os animais. A possibilidade de contágio com zoonoses desconhecidas em conjunto com a falta de base dos cuidados necessários com os animais retirados do habitat natural pode gerar pandemias letais e sofrimento a muitos animais. Um exemplo disso é o assassinato de macacos, em regiões com índice de febre amarela, por meio da associação errônea de que o primata transmite a doença, visto que eles também são vulneráveis a picada do mosquito vetor e apenas representam um alerta às autoridades locais.
Diante dos fatos expostos, é possível concluir que o comércio ilegal de animais silvestres causa sérios problemas aos ecossistemas e à sociedade. Para mudar essa realidade, cabe ao Ministério do Meio Ambiente melhorar o sistema de vigilância em áreas suscetíveis ao tráfico por meio de tecnologia e pólos de observação, para dificultar a permanência da atividade ilícita, visto que apenas a lei não é o bastante; também é de suma importância que o Ministério da Educação, apresente a importância da fauna e a flora da região, realizando excursões a zoológicos e a centros de reabilitações de animais silvestres, para que desse modo a população cresça consciente dos riscos que existem quando ocorre a violação dos ecossistemas. Somente com essas mudança o combate ao comércio de animais silvestres sera efetivo e finais felizes não estarão reservados apenas ao “Rio”.