O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 24/07/2020
No Folclore Brasileiro, a lenda dos Sacis retrata seres “travessos” cujo uma das principais finalidades é fazer da vida dos outros um inferno. Assim, é o ser humano para os animais silvestres, os quais estão sujeitos ao comércio ilegal. É paradoxal, pois, que em pleno século XXI dito como evoluído, a não importância política e social corrobora, em muito, para a existência do tráfico de animais da mata.
Convém analisar, inicialmente, a contribuição do Estado no combate da problemática. Nesse viés, partindo do princípio de que a Constituição Federal de 1998 penaliza a comercialização ilegal de animais retirados da natureza, o reflexo da atualidade representa uma contradição a esse pressuposto. Logo, a vulnerabilidade desse crime em várias regiões do país advém da omissão governamental que, sem condições de executar as leis, são responsáveis por inúmeros casos de venda dos animais silvestres.
Em consequência, testemunha-se um forte impacto dessa negligência do Governo na mentalidade da coletividade. Nesse contexto, observa-se uma escala de defasagem informativa sobre esse tipo de tráfico, o qual ainda é interpretado por algumas pessoas como alarme desnecessário da contemporaneidade. Infelizmente, a presença da ignorância civil é espelho da preservação de convicções idealizadas pela consciência coletiva ao longo do tempo, cuja a visão acerca do comércio de animais era tratada como irrelevante, bem como até mesmo inviabilizada.
Inferi-se, então, que diante dos desafios supracitados, é essencial a ação do Estado para mitigá-los. Em vista disso, o Governo Federal, através das verbas públicas, deve construir delegacias especializadas em crimes contra animais silvestres, com a intenção de atenuar a venda ilegal, além de aumentar a pena para quem a praticar. Também, ainda cabe ao Ministério da Educação e Cultura, em companhia das mídias digitais e televisas para facilitar a execução, criar palestras sobre a nocividade de traficar animais, a fim de que a sociedade -por conseguinte- informe-se. Desse modo, aguarda-se que os “Sacis da realidade” mudem o comportamento.