O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 31/07/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra”. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade pode ser associado a uma temática atual; já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, o comércio ilegal de animais silvestres funciona como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Logo, faz-se necessário debater essa problemática, a fim de minimizá-la.

Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Constituição de 1967, em seu artigo 3º, proíbe o comércio de espécimes da fauna silvestre, assim como sua caça, perseguição e destruição. No entanto, o que se nota, pois, na contemporaneidade, é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange à medidas efetivas de proteção e controle, além de não promover uma punição adequada aos criminosos. Isso pode ser comprovado quando, segundo o G1 - portal brasileiro de notícias - aproximadamente 38 milhões de animais são retirados da natureza por traficantes todos os anos. Tal contexto demonstra, por conseguinte, um quadro social caótico, o qual precisa ser combatido para a efetivação dos direitos constitucionais.

Além disso, é mister salientar que o individualismo é responsável por comprometer o combate ao tráfico da fauna. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro “Ensaios sobre a cegueira”, há uma “cegueira moral” presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos à coletividade. Dessa forma, não há como extinguir tal problemática enquanto houver compradores. Não é de se estranhar, portanto, que as florestas estão sendo drasticamente esvaziadas.

Desse modo, percebe-se que o comércio ilegal de animais silvestres é um imbróglio que necessita de mitigação. Assim, o governo, para fazer valer o artigo 3º da Constituição de 1967, deve-se realizar investimento para proteção da fauna e da flora, por intermédio de verbas recuperadas de operação contra a corrupção, como a “Postal Off”. Ademais, a mídia, com sua alta capacidade de persuasão, deve informar a população, por meio de campanhas a serem divulgadas em diversos espaço, como rádio, televisão e redes sociais, com o objetivo de retirar a população da “cegueira moral” na qual ela se encontra. Assim, será possível remover as “pedras” drummondianas e assegurar o progresso da nação verde-amarela.